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Após 20 anos, irmãos Oliveira ficam sem cargos eletivos

Derrotas de Sandro Alex e Marcelo Rangel interrompem sequência iniciada em 2006; resultado chama atenção também em Ponta Grossa, berço político dos dois irmãos

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Marcelo Rangel e Sandro Alex
Marcelo Rangel e Sandro Alex — Crédito: Reprodução redes sociais

Vinte anos depois de a família Oliveira conquistar seu primeiro mandato, as eleições de 2026 produziram um cenário inédito para os irmãos Sandro Alex e Marcelo Rangel. Nenhum dos dois conseguiu o cargo que disputou e, ao fim dos atuais mandatos, a família ficará sem representante em cargo eletivo.

A sequência começou em 2006, quando Marcelo Rangel, então radialista e estreante em eleições, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná. Foram 51.868 votos naquela primeira disputa. Depois disso, Marcelo e Sandro passaram a ocupar sucessivamente espaços na Assembleia, na Prefeitura de Ponta Grossa e na Câmara dos Deputados.

Duas décadas depois, o ciclo sofre uma interrupção. Sandro deixou a disputa pela Câmara para concorrer ao Governo do Paraná. Marcelo, atualmente deputado estadual, tentou fazer o caminho até Brasília e disputar justamente uma das cadeiras federais que durante anos tiveram o irmão como representante.

Nenhuma das duas candidaturas terminou com eleição.

 

Nem em casa

O resultado ganha um componente adicional quando observado a partir de Ponta Grossa, cidade onde os dois irmãos nasceram e construíram suas bases políticas.

Sandro Alex não venceu a disputa para governador nem no próprio município. Sergio Moro recebeu 89.550 votos em Ponta Grossa, 47,29% dos válidos. Sandro ficou com 54.146, ou 28,59%. A diferença foi de 35.404 votos.

Marcelo Rangel também não conseguiu transformar seu histórico eleitoral no município em uma vaga na Câmara dos Deputados. Ele recebeu 22.506 votos em Ponta Grossa e 62.686 em todo o Paraná.

A votação local chama atenção quando comparada à eleição anterior. Em 2022, quando concorreu a deputado estadual, Marcelo havia recebido 31.131 votos dos ponta-grossenses. Quatro anos depois, agora concorrendo a deputado federal, foram 8.625 votos a menos em sua cidade, uma redução de 27,7%. A comparação envolve cargos diferentes, mas mostra a mudança na votação pessoal de Rangel dentro de seu principal reduto.

 

Aliel amplia votação

Outro nome de Ponta Grossa teve resultado diferente na disputa pela Câmara.

Aliel Machado recebeu 36.434 votos dos eleitores do município, 13.928 a mais que os 22.506 obtidos por Marcelo Rangel. No resultado estadual, Aliel garantiu novo mandato na Câmara dos Deputados.

O contraste é relevante porque a representação de Ponta Grossa em Brasília foi um dos argumentos utilizados durante a campanha de Marcelo. Ele defendia que o município precisava manter uma cadeira na Câmara, lembrando que Sandro Alex deixava a disputa federal para concorrer ao governo. A cadeira não ficou com Marcelo.

 

Uma trajetória iniciada em 2006

A presença eleitoral dos irmãos Oliveira começou com Marcelo. Ele foi eleito deputado estadual em 2006 e novamente em 2010. Depois, venceu a eleição para prefeito de Ponta Grossa em 2012 e conquistou a reeleição em 2016. Em 2022, retornou à Assembleia Legislativa.

Sandro Alex construiu sua trajetória principalmente em Brasília. Eleito deputado federal pela primeira vez em 2010, permaneceu na Câmara nas legislaturas seguintes, embora tenha passado períodos licenciado para integrar o governo Ratinho Junior.

A divisão de espaços permitiu que, ao longo dessas duas décadas, pelo menos um dos irmãos estivesse ocupando um cargo eletivo.

Em 2026, a estratégia era novamente manter essa presença, mas em posições diferentes. Sandro tentou chegar ao Palácio Iguaçu, enquanto Marcelo buscou transferir seu mandato da Assembleia para a Câmara.


Duas derrotas e uma mudança de cenário

Marcelo já vinha de uma derrota nas eleições municipais de 2024, quando tentou retornar à Prefeitura de Ponta Grossa e não se elegeu. Em 2026, deixou a disputa estadual e buscou uma cadeira federal, novamente sem conseguir o mandato.

Agora, o resultado simultâneo dos dois irmãos estabelece uma situação diferente daquela mantida desde 2006.

Marcelo ainda permanece deputado estadual até o encerramento da atual legislatura, e Sandro segue deputado federal até o término de seu mandato. Portanto, os irmãos não deixam imediatamente seus cargos com o fechamento das urnas.

Mas, quando os atuais mandatos terminarem, a família Oliveira chegará a 2027 sem um dos irmãos ocupando cargo eletivo pela primeira vez desde que Marcelo Rangel entrou para a Assembleia Legislativa, há 20 anos.

E a mudança foi registrada também onde essa trajetória começou: Ponta Grossa.

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