Vencedor do Prêmio Jabuti apresenta espetáculo gratuito em Cascavel nesta sexta-feira
Renato Forin Jr. mistura música, poesia, teatro e histórias para discutir a formação cultural brasileira; apresentação será no Teatro CoolHall, com tradução em Libras e entrada gratuita.
O escritor, ator e professor de literatura Renato Forin Jr., vencedor do Prêmio Jabuti de 2017, apresenta nesta sexta-feira (16), em Cascavel, a aula-espetáculo Costuras poéticas pelo fio da voz. A apresentação será realizada às 19h, no Teatro CoolHall, localizado na Rua Paraguai, 487, no bairro Alto Alegre. A entrada é gratuita, com acesso por ordem de chegada, a partir das 18h.
Com mais de 30 apresentações realizadas pelo país desde a estreia, em 2022, o espetáculo reúne música, poesia, teatro e contação de histórias para explorar as diferentes influências que contribuíram para a formação da cultura brasileira. O samba ocupa posição central na proposta, que aborda tanto a riqueza produzida pelo encontro entre tradições africanas, indígenas e europeias quanto os conflitos históricos que marcaram essa trajetória.
Natural de Ibiporã e radicado em Londrina, Renato Forin Jr. é mestre e doutor em Letras pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com período de estudos na Université Sorbonne Nouvelle, em Paris. Sua produção artística transita entre literatura, dramaturgia, música e pesquisa acadêmica.
A apresentação em Cascavel integra a circulação do projeto Costurando Poesia pelo Paraná, que já passou por Loanda e seguirá por outras cidades paranaenses até novembro.
Da tradição oral aos palcos
A proposta do espetáculo parte de uma reflexão sobre a importância da oralidade na transmissão de conhecimentos, histórias e tradições culturais. Para isso, Renato recupera referências dos griôs africanos e dos rapsodos gregos, antigos narradores que percorriam comunidades compartilhando histórias, poemas e canções.
A própria expressão que dá nome à apresentação faz referência à origem grega da palavra rapsodo, associada ao ato de costurar. No palco, essa ideia ganha forma por meio da combinação de textos literários, composições musicais, memórias pessoais e reflexões sobre a identidade brasileira.
“No fundo, é uma apresentação muito simples, que nos leva de volta àquele espaço aconchegante da infância, ou das casas do interior, quando ouvíamos e contávamos histórias da nossa vida, cantávamos juntos canções antigas, e celebrávamos o mistério de existir e de estar vivo, sem nem notar por isso”, explica o artista.
O trabalho também recupera experiências pessoais do escritor, que cresceu em uma família com pouco acesso aos livros, mas cercado por narrativas orais. As histórias contadas pela mãe, junto à máquina de costura, e as conversas no estabelecimento mantido pelo pai aparecem como referências de sua formação literária.
Essa relação entre a palavra falada e a escrita constitui um dos principais argumentos do espetáculo: a literatura não está restrita aos livros, mas também se manifesta nas canções populares, nas histórias familiares e nas tradições transmitidas entre gerações.
Shakespeare em ritmo de samba
O ponto de partida da aula-espetáculo é o livro-CD Samba de uma noite de verão, publicado em 2016 e vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Adaptação, em 2017.
A obra apresenta uma releitura brasileira de Sonho de uma noite de verão, de William Shakespeare. Na adaptação, a mitologia greco-romana e os personagens da peça original dão lugar a elementos da cultura popular brasileira, divindades africanas, lendas indígenas e figuras do cotidiano das periferias.
A trama se desenvolve na fictícia Vila de Vera Cruz, habitada por trabalhadores, lavadeiras, sambistas, mães de santo, políticos e personagens que representam diferentes segmentos da sociedade. Por trás da linguagem musical e das situações de humor, a narrativa discute desigualdade social, exploração econômica, preconceito e relações de poder.
O samba funciona como elemento de ligação entre essas histórias. Para o autor, o gênero musical representa tanto a capacidade de reinvenção cultural do país quanto as marcas da escravidão e da resistência negra.
“O samba, sendo hoje reconhecido como ‘produto de exportação’, é um retrato da nossa história complexa, das marcas coloniais: ele sobreviveu a criminalizações institucionais e tentativas de silenciamento a partir da célula angolana e da resistência inteligente dos negros escravizados ou das comunidades populares subalternizadas”, afirma.
Além de trechos da obra premiada, a apresentação inclui composições como Compasso da Vila e A mão do tempo, bem como passagens de livros mais recentes do escritor, entre eles Carne viva e OVO.
Literatura, educação e diversidade
A relação entre arte e educação também atravessa a trajetória de Renato Forin Jr. Após receber o Prêmio Jabuti, o escritor passou a participar de atividades em escolas, discutindo literatura, teatro, música popular e tradições afro-brasileiras.
Essas experiências contribuíram para a criação de Costuras poéticas pelo fio da voz, que combina elementos de uma palestra literária com recursos de uma apresentação teatral.
No material de apoio ao espetáculo, o autor defende que o contato com diferentes manifestações culturais pode contribuir para uma educação mais crítica e para o enfrentamento de preconceitos. A valorização das tradições africanas e indígenas, assim como a reflexão sobre o racismo estrutural, integra essa proposta.
A apresentação também convida o público a reconhecer a presença dessas influências na própria vida, das músicas ouvidas na infância às histórias transmitidas pelos familiares.
Com duração de 110 minutos, a aula-espetáculo tem classificação indicativa de 14 anos e contará com tradução em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
A circulação é realizada por meio do projeto Costurando Poesia pelo Paraná, aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura. Em Cascavel, a iniciativa conta com apoio do Teatro CoolHall.
SERVIÇO
Espetáculo: Costuras poéticas pelo fio da voz
Artista: Renato Forin Jr.
Data: Sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Horário: 19h
Local: Teatro CoolHall — Rua Paraguai, 487, Alto Alegre, Cascavel
Entrada: Gratuita, por ordem de chegada, a partir das 18h
Duração: 110 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Acessibilidade: Tradução em Libras
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