Vazamento de dados? Aumento de assédio de instituições financeiras a servidores do Paraná preocupa entidades sindicais
Abordagens insistentes por telefone, WhatsApp e redes sociais se intensificam após mudança na gestão da folha de pagamento
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Arquivo AEN
O aumento nas reclamações de servidoras e servidores públicos do Paraná sobre contatos frequentes e insistentes de instituições financeiras acendeu um alerta entre entidades sindicais e levou o tema à Secretaria de Estado da Administração e da Previdência (SEAP).
De acordo com relatos levados pelo Fórum das Entidades Sindicais do Paraná (FES), trabalhadores vêm sendo abordados de forma reiterada por bancos, financeiras e empresas de crédito, principalmente por meio de ligações telefônicas, mensagens de WhatsApp e interações em redes sociais. As ofertas incluem empréstimos consignados, portabilidade de crédito e outros serviços financeiros.
Segundo as entidades, o volume dessas abordagens aumentou de forma significativa nas últimas semanas, gerando desconforto entre os servidores e levantando questionamentos sobre a origem dos dados utilizados por essas instituições. A coincidência com a recente mudança da empresa responsável pela administração da folha de pagamento do funcionalismo estadual reforçou a preocupação dos sindicatos.
O FES avalia que o cenário pode indicar possível compartilhamento ou vazamento de informações cadastrais, o que motivou o pedido de apuração junto ao governo estadual. A principal preocupação é garantir a proteção dos dados pessoais dos servidores e evitar o uso indevido dessas informações para fins comerciais.
Além do incômodo causado pelo volume de contatos, os relatos apontam que as abordagens ocorrem em alguns casos de forma repetitiva e invasiva, mesmo após recusas dos trabalhadores. Para as entidades sindicais, essa prática ultrapassa o limite do aceitável e caracteriza uma forma de assédio comercial.
Durante a reunião com a SEAP, representantes do fórum solicitaram que o governo verifique a situação e adote medidas para identificar a origem dos dados utilizados pelas instituições financeiras. Também foi reforçado o pedido para que sejam criados mecanismos mais rigorosos de controle e proteção das informações dos servidores públicos estaduais.
O governo, por meio da secretaria, recebeu as demandas e informou que irá analisar os relatos apresentados, com o objetivo de apurar eventuais irregularidades e adotar as providências cabíveis.
Além da questão do assédio por parte de instituições financeiras, também foram relatadas inconsistências relacionadas aos descontos de mensalidades sindicais em folha de pagamento, bem como aspectos operacionais do sistema de processamento desses valores. Outro ponto discutido foi a cobrança de taxas pela empresa responsável pela gestão da folha para a realização dos repasses às entidades sindicais.
Apesar disso, o foco central das entidades segue sendo o aumento das abordagens comerciais direcionadas aos servidores e a necessidade de garantir maior segurança no tratamento dos dados funcionais.
