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Toledo vai pagar pedágio, mas fica sem obras no novo pacote rodoviário, alerta Fiep

Federação das Indústrias do Paraná afirma que o município ficou fora das principais intervenções previstas no Lote 5 das concessões e cobra mobilização para garantir investimentos em infraestrutura

Por Eliane Alexandrino

Toledo vai pagar pedágio, mas fica sem obras no novo pacote rodoviário, alerta Fiep Créditos: Divulgação

Toledo, um dos maiores polos agroindustriais do Paraná, corre o risco de pagar pedágio sem receber as obras estruturantes prometidas no novo modelo de concessões rodoviárias do Estado. O alerta foi feito pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e acendeu um sinal vermelho entre empresários, produtores rurais e lideranças locais que passaram a questionar como uma das cidades que mais gera riqueza no Oeste paranaense acabou praticamente excluída do pacote bilionário de investimentos previsto para o Lote 5.

A preocupação ganhou força após a apresentação realizada pelo superintendente da Fiep, João Arthur Mohr, durante reunião com representantes do setor produtivo nesta semana, em Toledo. Segundo ele, o edital das novas concessões contemplou diversos municípios da região com obras de grande porte, mas deixou Toledo praticamente à margem dos investimentos.

Enquanto Marechal Cândido Rondon, Mercedes, Guaíra e outros municípios receberam duplicações, viadutos, marginais, acessos e até contornos rodoviários, Toledo ficou sem obras significativas previstas no contrato original da concessão.

A situação chama atenção porque o município é um dos principais centros de produção de proteína animal, agronegócio e indústria do Paraná, movimentando bilhões de reais por ano e utilizando diariamente a BR-163 como corredor logístico para escoamento da produção.

“Especialmente aqui na região de Toledo, acabou não ficando prevista praticamente nenhuma obra importante do pedágio”, afirmou Mohr durante a apresentação.

A crítica ganha ainda mais peso porque a cobrança das tarifas já começou em parte do Lote 5 e será ampliada nos próximos meses com a implantação dos chamados pórticos de fluxo livre (free flow), sistema eletrônico que permitirá a cobrança automática dos usuários.

Na prática, a população, transportadores e produtores rurais de Toledo passarão a pagar pedágio, mas sem a garantia de receber melhorias equivalentes na infraestrutura local. O cenário gerou indignação entre lideranças da região.

Para o presidente do Sindicato Rural Patronal de Toledo, Nelson Gafuri, a situação revela um tratamento desigual em relação a outros municípios contemplados pelo pacote de investimentos.

“Nós estamos praticamente no escuro. Parece que querem esconder Toledo. Todo mundo passa pela nossa região, todo mundo utiliza a riqueza que produzimos, mas quando chega a hora dos investimentos, Toledo fica de fora. Não temos viaduto, não temos marginal, não temos obras importantes previstas”, criticou.

O sentimento entre representantes do setor produtivo é de que a cidade acabou penalizada por não ter conseguido inserir suas demandas durante as fases iniciais de discussão das concessões rodoviárias.

Segundo a Fiep, boa parte das obras que hoje aparecem nos contratos foi incluída durante o período de audiências públicas e debates promovidos antes da licitação. Municípios que apresentaram projetos e reivindicações acabaram conquistando investimentos relevantes. Toledo, por outro lado, ficou com um vazio de obras no mapa das concessões. Apesar do cenário desfavorável, ainda existe uma possibilidade de reverter parte da situação.

O consórcio vencedor do Lote 5 ofereceu um desconto de 23% no leilão realizado na Bolsa de Valores. Como consequência, foi obrigado a depositar aproximadamente R$ 400 milhões em uma conta específica chamada Conta de Aporte.

Esse dinheiro poderá ser utilizado exclusivamente para financiar obras que não estavam previstas originalmente no contrato de concessão.

Segundo a Fiep, recursos desse fundo poderiam viabilizar intervenções consideradas estratégicas para Toledo, como a construção de um novo viaduto no acesso da Avenida Maripá, implantação de vias marginais ao longo do trecho urbano da BR-163, adequação de acessos e outras melhorias voltadas à segurança e à mobilidade urbana. No entanto, a destinação desses recursos não ocorrerá automaticamente.

João Arthur Mohr alertou que a inclusão de novas obras dependerá da mobilização da sociedade organizada, do setor produtivo, da Prefeitura e das lideranças políticas da região. As decisões serão discutidas nas chamadas reuniões tripartites, que envolvem representantes da concessionária, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e dos usuários das rodovias.

Caso Toledo não participe ativamente desse processo, existe o risco de os recursos serem direcionados para outras localidades.

A preocupação é que um dos municípios mais importantes da economia paranaense continue pagando a conta do pedágio sem receber investimentos proporcionais à sua relevância econômica.

Para lideranças empresariais e do agronegócio, o momento é decisivo. Sem pressão política e articulação regional, Toledo poderá assistir à execução de obras bilionárias em cidades vizinhas enquanto permanece sem viadutos, sem marginais e sem melhorias estruturais capazes de acompanhar o crescimento econômico que ajudou a construir no Oeste do Paraná.

Foto: Divulgação

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