Terceira noite do grupo especial leva Tuiuti, Vila Isabel, Grande Rio e Salgueiro à Sapucaí
Quatro escolas entram na avenida a partir das 22h em busca do título de 2026
Por Bruno Rodrigo
Créditos: Dhavid Normando/Rio Carnaval
O Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro chega à terceira noite de desfiles nesta terça-feira (17), na Marquês de Sapucaí. Quatro escolas entram na avenida a partir das 22h em busca do título de 2026.
No domingo passaram Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira. Já na segunda-feira desfilaram Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Viradouro e Unidos da Tijuca.
Entre os destaques da noite estão a vice-campeã de 2025, Grande Rio, a Unidos de Vila Isabel com nova equipe criativa e o Salgueiro, que homenageia a carnavalesca Rosa Magalhães.
A apuração ocorre na quarta-feira (18), às 16h, com transmissão da Globo. As seis primeiras colocadas retornam no desfile das campeãs, sábado (21).
Eduardo Hollanda/Rio Carnaval
1ª Escola - Paraíso do Tuiuti
Enredo: “Lona Ifá Lucumí”
Abrindo a noite, o Tuiuti apresenta um desfile voltado à espiritualidade afro-atlântica. O enredo aborda a tradição de Ifá e sua ligação entre Brasil e Caribe, especialmente com a cultura afro-cubana.
A proposta é mostrar como saberes religiosos viajaram com a diáspora africana e foram recriados em diferentes territórios. A escola transforma a avenida em um espaço ritualístico, aproximando culturas separadas pelo oceano, mas unidas pela memória ancestral. A narrativa busca refletir sobre identidade latino-americana e pertencimento, destacando a continuidade dessas tradições no cotidiano.
Eduardo Hollanda/Rio Carnaval
2ª Escola - Unidos de Vila Isabel
Enredo: “Macumbembê, samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”
A Vila Isabel homenageia Heitor dos Prazeres, figura central na formação do samba urbano carioca. O desfile vai apresentar a relação entre música, religiosidade e vida popular, mostrando como o artista cresceu entre terreiros, ranchos e rodas na região da Pequena África.
A escola retrata Heitor como personagem que transformou memória em arte: compositor, pintor e cronista visual do cotidiano. O enredo percorre o nascimento das escolas de samba, os bailes e a cultura negra carioca, defendendo o samba como herdeiro direto das tradições africanas. A África aparece como sonho permanente dentro da música brasileira.
Eduardo Hollanda/Rio Carnaval
3ª Escola - Acadêmicos do Grande Rio
Enredo: “A nação do mangue”
Vice-campeã em 2025, a Grande Rio leva para a Sapucaí o movimento Manguebeat, surgido em Recife nos anos 1990. A narrativa parte do manguezal como símbolo: lugar marginalizado que se transforma em potência cultural.
O desfile mostra jovens artistas que misturaram ritmos regionais com rock e música urbana para renovar a música brasileira. A escola liga Pernambuco à Baixada Fluminense ao tratar periferias como centros criativos. O mangue aparece como metáfora de fertilidade cultural, da lama nasce som, identidade e transformação social.
Eduardo Hollanda/Rio Carnaval
4ª Escola - Acadêmicos do Salgueiro
Enredo: “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”
Encerrando a noite, o Salgueiro presta homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães. O desfile apresenta a artista como uma contadora de histórias que transformou literatura, mitos e viagens em carnaval.
A narrativa percorre universos fantásticos, personagens históricos e paisagens do mundo, mostrando como pesquisa e imaginação viravam fantasias e alegorias. A escola propõe uma viagem pelo método criativo da carnavalesca: estudar, interpretar e reinventar narrativas na avenida, transformando conhecimento em espetáculo popular.
