RESULT

TCE suspende leilão da Celepar por risco à fiscalização e ao tratamento de dados da segurança pública

O despacho menciona que atualmente existem ao menos 114 sistemas classificados como manipuladores de dados de segurança pública, cuja gestão estaria envolvida no processo de transição

Por Gazeta do Paraná

TCE suspende leilão da Celepar por risco à fiscalização e ao tratamento de dados da segurança pública Créditos: Roberto Dziura/AEN

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná determinou, em decisão cautelar, a suspensão imediata do processo de desestatização — na prática, a venda — da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar). A decisão foi proferida pelo conselheiro Fabio de Souza Camargo e atende a pedido da 6ª Inspetoria de Controle Externo, que conduz fiscalização sobre contratos ligados ao tratamento de dados sensíveis da área de segurança pública  .

A medida cautelar foi adotada no âmbito de um procedimento de Homologação de Recomendações e tem como fundamento central o risco de comprometimento da própria fiscalização em curso, caso a privatização avance antes da conclusão das análises técnicas. Segundo o despacho, a venda da Celepar poderia gerar “impactos diretos” na capacidade do Tribunal de exercer controle externo, além de esvaziar a utilidade prática das recomendações que ainda estão sendo elaboradas pela Inspetoria  .

No centro da fiscalização estão contratos firmados entre a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SESP) e a empresa Indra Brasil Soluções e Serviços Tecnológicos Ltda., relacionados à gestão e ao tratamento de dados de segurança pública. De acordo com o relatório técnico, a própria SESP reconheceu, em documentos internos, que o processo de privatização da Celepar poderia acarretar riscos de exposição, transferência indevida ou até interrupção de sistemas críticos que hoje concentram informações sensíveis de toda a população paranaense  .

O despacho menciona que atualmente existem ao menos 114 sistemas classificados como manipuladores de dados de segurança pública, cuja gestão estaria envolvida no processo de transição. A Inspetoria aponta que a Celepar ainda exerce papel ativo na administração desses sistemas, o que reforça a necessidade de sua permanência sob o alcance direto da fiscalização do Tribunal enquanto perdurarem as apurações  .

Outro ponto destacado na decisão é a existência de contradições entre informações prestadas pela SESP e análises técnicas produzidas pela própria Celepar. Enquanto a Secretaria afirma ter internalizado a gestão dos dados, documentos da estatal indicam que parte significativa — mais de 50% dos sistemas classificados como críticos — continua sob operação independente, o que acende alertas sobre governança, segurança da informação e confiabilidade das contratações analisadas  .

Ao justificar a concessão da cautelar, o conselheiro reconheceu estarem presentes os dois requisitos legais: o fumus boni iuris, diante da plausibilidade das irregularidades apontadas, e o periculum in mora, considerando que o próprio governo estadual anunciou que a desestatização ocorreria “no menor prazo possível”, o que poderia tornar irreversível o prejuízo à fiscalização caso não houvesse intervenção imediata  .

A decisão deixa claro que a suspensão não representa julgamento de mérito sobre a política de privatização, nem substituição de decisões administrativas do Executivo. Segundo o despacho, trata-se de uma medida destinada exclusivamente a preservar o objeto fiscalizado e garantir a efetividade do controle externo, evitando o esvaziamento das competências do Tribunal enquanto o processo de auditoria não for concluído  .

Com isso, o processo de desestatização da Celepar fica suspenso até o encerramento da fiscalização e a elaboração do relatório final pela 6ª Inspetoria de Controle Externo. O Governo do Estado, a Celepar, a SESP e a empresa Indra Brasil foram formalmente intimados para cumprimento imediato da decisão, que tem efeito imediato e ainda será submetida à apreciação do colegiado do Tribunal na próxima sessão  .

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp