Renato Freitas denuncia perseguição e cita morte de preso e suposto nepotismo na segurança do Paraná
Deputado afirma que virou réu após denúncias feitas na tribuna e relata caso de preso que teria sido transferido irregularmente e apareceu morto
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Valdir Amaral
O deputado estadual Renato Freitas (PT) usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), nesta terça-feira, para afirmar que está sendo alvo de perseguição política e judicial e para reiterar denúncias envolvendo a área de segurança pública do Estado.
O parlamentar relatou que, no dia anterior, prestou depoimento em uma delegacia no centro de Curitiba e enfrentou dois processos na Comissão de Ética da Casa. Segundo ele, as ações seriam consequência de sua atuação política. “Enfrentei de cabeça erguida o processo de cassação que corre contra mim”, disse.
Freitas também afirmou que foi surpreendido com a aceitação de uma denúncia criminal contra ele pelo Tribunal de Justiça do Paraná. De acordo com o deputado, o caso está relacionado a declarações feitas anteriormente na própria tribuna. “Para meu espanto, era por conta de uma denúncia que eu havia feito aqui”, afirmou.
Caso Muffato e manifestação
Durante o discurso, o parlamentar mencionou a manifestação realizada em frente a uma unidade da rede de supermercados Super Muffato, após a morte de um jovem acusado de furtar um chocolate.
Segundo Freitas, o rapaz teria sido morto após ser agredido por seguranças. “Um jovem foi espancado, asfixiado, assassinado e o seu corpo jogado numa via pública”, declarou.
Ele afirmou que sua atuação no caso também resultou em questionamentos na Comissão de Ética da Assembleia.
Acusação de nepotismo e morte em unidade prisional
O deputado também retomou denúncias feitas em 2023 envolvendo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná. Segundo ele, houve nepotismo na nomeação de um servidor ligado à pasta.
Freitas citou o nome de Alisson Andrade, que, segundo ele, seria irmão de um oficial da Polícia Militar que ocupava cargo de chefia. “Estava praticando nepotismo, porque trabalhava na Secretaria de Segurança Pública, em cargo comissionado”, afirmou.
De acordo com o parlamentar, após a denúncia, o servidor teria sido transferido para outra secretaria, mas continuaria atuando informalmente na área de segurança.
O deputado também relatou um episódio envolvendo o sistema prisional. Segundo ele, um detento teria sido transferido por ordem irregular e, horas depois, apareceu morto.
“O preso, horas depois, apareceu suicidado, morto”, disse.
Freitas afirmou ainda que houve tentativa de investigação interna, mas que o processo teria sido interrompido. Ele acusou interferência administrativa e troca de cargos para impedir o avanço das apurações.
“Uso da tribuna como denúncia”
Ao final, o parlamentar disse que suas falas são baseadas em documentos oficiais e reforçou que continuará utilizando a tribuna para denunciar irregularidades.
“Um ser humano foi assassinado pelo Estado em circunstâncias suspeitas. Eu denunciei não com base em achismo, mas com dados do Portal da Transparência”, afirmou.
Freitas concluiu dizendo que, em vez de as denúncias serem investigadas, ele próprio acabou sendo alvo de ações judiciais. “Ao invés deles serem julgados e denunciados criminalmente, eu fui”, disse.
Créditos: Redação
