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Projeto de Lei permite acesso de pais a antecedentes criminais de funcionários de escolas

A legislação brasileira já exige que instituições de ensino que atendem crianças de até 12 anos solicitem atestados de antecedentes criminais

Por Gazeta do Paraná

Projeto de Lei permite acesso de pais a antecedentes criminais de funcionários de escolas Créditos: Gabriel Rosa/AEN

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 237/2019, de autoria do ex-deputado federal Ney Leprevost (União Brasil), atual deputado estadual no Paraná. A proposta garante aos pais e responsáveis o direito de acessar os atestados de antecedentes criminais dos funcionários de escolas regulares e pré-escolas, tanto públicas quanto privadas, que atendem crianças. O projeto, que recebeu parecer favorável do relator da Comissão de Educação, deputado Kim Kataguiri (União-SP), avança agora para análise em outras comissões antes de seguir para votação no plenário.

A legislação brasileira já exige que instituições de ensino que atendem crianças de até 12 anos solicitem atestados de antecedentes criminais de todos os colaboradores. Além disso, é proibida a contratação de pessoas com sentença penal condenatória transitada em julgado, independentemente do tipo de crime cometido. O projeto de Leprevost, no entanto, vai além: ele permite que os pais ou responsáveis pelos alunos tenham acesso a esses documentos, ampliando a transparência e a segurança no ambiente escolar.

O deputado Ney Leprevost destacou que a proposta surge como uma resposta a casos frequentes de maus-tratos e agressões contra crianças por parte de profissionais que atuam em instituições de ensino. “O Estado tem o dever de proteger a vida e a integridade física de todos, mas, sem dúvida alguma, deve priorizar as crianças nas políticas de prevenção à violência”, afirmou o parlamentar. Ele reforçou que o acesso dos pais aos antecedentes criminais dos funcionários é uma forma de garantir maior segurança e tranquilidade às famílias.

Kim Kataguiri, relator do projeto, também defendeu a medida. “Os pais têm o direito de saber quem está cuidando de seus filhos. A escola deve ser um ambiente seguro, e essa proposta é um passo importante para garantir que isso aconteça”, disse. O texto aprovado na Comissão de Educação reúne o projeto de Leprevost a outras oito propostas apensadas, todas voltadas à segurança no ambiente escolar.

Próximos passos

O projeto ainda será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Administração e Serviço Público; Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; Trabalho; e Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Se aprovado nessas instâncias, seguirá para votação no plenário da Câmara e, posteriormente, no Senado. Somente após a aprovação nas duas casas legislativas e a sanção presidencial, a proposta se tornará lei.

A proposta tem sido vista como uma forma de fortalecer a proteção de crianças e adolescentes, especialmente em um contexto em que casos de violência e abuso em escolas têm ganhado destaque. Ao permitir que os pais acessem os antecedentes criminais dos funcionários, o projeto amplia a transparência e a responsabilidade das instituições de ensino. Além disso, a medida pode servir como um mecanismo de prevenção, desencorajando a contratação de pessoas com histórico criminal.

No entanto, especialistas alertam que a exigência de antecedentes criminais não deve ser a única medida adotada para garantir a segurança nas escolas.

“É fundamental que as instituições implementem políticas de proteção à criança e ao adolescente, como capacitação de profissionais, criação de canais de denúncia e promoção de um ambiente escolar seguro e acolhedor”, destacou uma especialista em educação.

Paraná como referência

No Paraná, estado de origem do autor do projeto, a exigência de certidões de antecedentes criminais para profissionais que atuam em escolas já é uma realidade há pelo menos 10 anos. Desde 2012, professores, assistentes administrativos e auxiliares de serviços gerais contratados por processo seletivo simplificado precisam apresentar o documento. Para professores efetivos, a obrigatoriedade começou em 2013. A Secretaria de Educação do Estado afirma que a medida contribui para aumentar a segurança na comunidade escolar.

Com a aprovação do projeto de Leprevost, a expectativa é que outras unidades da federação sigam o exemplo do Paraná e adotem medidas semelhantes para fortalecer a segurança nas escolas.

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