Professor Lemos critica privatizações e diz que governo Ratinho Jr. enfraqueceu serviços públicos
Deputado do PT destaca investimentos na saúde do Oeste, cobra valorização dos professores, defende retomada da Copel e critica modelo de pedágio adotado no Estado
Créditos: Eliane Alexandrino
O deputado estadual Professor Lemos (PT) fez duras críticas ao governo Ratinho Junior durante entrevista ao GGast, Podcast da Gazeta do Paraná. Ao avaliar os quase oito anos da atual gestão estadual, o parlamentar afirmou que o governo promoveu a privatização de áreas estratégicas, terceirizou serviços públicos e enfraqueceu setores considerados essenciais, como educação, energia e infraestrutura.
Durante a conversa, Lemos também anunciou a liberação de R$ 90 milhões para o Hospital Regional de Toledo, considerado um dos principais investimentos em saúde previstos para o Oeste do Paraná. Segundo ele, os recursos serão destinados à estruturação e ao funcionamento da unidade, que deverá ampliar a capacidade de atendimento e reduzir filas de cirurgias e procedimentos especializados na região.
O parlamentar explicou que o investimento será composto por recursos da Itaipu Binacional, do Governo do Estado e da Prefeitura de Toledo. A expectativa é que a formalização dos convênios ocorra nos próximos dias.
Na área da educação, uma das principais bandeiras do mandato, Professor Lemos afirmou que a falta de valorização profissional tem provocado dificuldades para contratação de professores tanto na rede estadual quanto nas redes municipais. Segundo ele, salários considerados defasados e condições de trabalho inadequadas contribuem para a escassez de profissionais em diversas disciplinas.
"O professor precisa ter formação superior, trabalhar 40 horas por semana e muitas vezes recebe menos do que outros servidores públicos. Isso gera desestímulo e afasta profissionais da carreira", afirmou.
Pedágio
Outro tema que ocupou parte significativa da entrevista foi o novo modelo de concessões rodoviárias implantado no Paraná. Professor Lemos voltou a se posicionar contra a ampliação das praças de pedágio e criticou a cobrança nas rodovias estaduais.
Segundo o deputado, o Estado não deveria transferir ao usuário o custo da manutenção das estradas por meio de tarifas, uma vez que já existe arrecadação de impostos destinada à infraestrutura rodoviária.
Lemos lembrou que votou contra o projeto aprovado pela Assembleia Legislativa que permitiu a inclusão de trechos estaduais nos contratos de concessão. Na avaliação dele, a medida abriu caminho para a instalação de novas praças em regiões que historicamente não conviviam com a cobrança.
O parlamentar citou como exemplos os pedágios previstos em trechos estratégicos do Oeste e Sudoeste do Paraná, incluindo ligações entre Cascavel, Toledo, Marechal Cândido Rondon, Guaíra e municípios da região. Para ele, a ampliação das tarifas compromete a competitividade econômica do Estado, encarece o transporte de mercadorias e impacta diretamente produtores rurais, empresários e consumidores.
"O Paraná foi um dos primeiros estados do Brasil a implantar pedágio e continua pagando uma conta que pesa sobre toda a economia. Existem estados que não têm pedágio e conseguem manter suas rodovias", argumentou.
Copel
A privatização da Copel também foi alvo de críticas. Professor Lemos defendeu a retomada do controle estatal da companhia e afirmou que o serviço prestado à população piorou após a venda da empresa.
Segundo ele, agricultores e moradores de diversas regiões do Paraná relatam com frequência problemas relacionados a interrupções e oscilações no fornecimento de energia elétrica, especialmente nas áreas rurais.
O deputado participa de um movimento que busca coletar assinaturas para um projeto de iniciativa popular visando a recompra das ações vendidas pelo Estado e a retomada do controle público da companhia.
Para Lemos, a energia elétrica é um serviço estratégico para o desenvolvimento do Paraná e não deveria estar subordinada exclusivamente aos interesses do mercado financeiro.
"A Copel foi construída com recursos dos paranaenses e sempre foi referência nacional. Hoje a população reclama da queda de energia, da demora nos reparos e da redução dos investimentos. Precisamos retomar o controle da empresa", afirmou.
Críticas ao governo
Ao fazer um balanço da gestão Ratinho Junior, o deputado afirmou que o governo ampliou terceirizações e transferiu atividades públicas para empresas privadas em diferentes setores.
Entre os exemplos citados estão a contratação de empresas para gestão de escolas, terceirização de funcionários da educação e modelos de contratação adotados em outras áreas da administração pública.
Na avaliação do parlamentar, essas medidas resultam em aumento de custos para o Estado e redução da qualidade dos serviços prestados à população.
Integrante da oposição na Assembleia Legislativa, Professor Lemos afirmou que seguirá percorrendo os municípios paranaenses para prestar contas do mandato, discutir prioridades para o orçamento estadual e defender investimentos em saúde, educação e infraestrutura pública.
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