PL racha no Paraná após filiação de Moro e prefeitos anunciam debandada em apoio a Ratinho Jr.
Ao todo, 49 prefeitos eleitos pelo PL já confirmaram a desfiliação da legenda
Por Da Redação
Créditos: Assessoria
A filiação do senador Sergio Moro ao Partido Liberal (PL) desencadeou uma crise interna de grandes proporções no Paraná e culminou, nesta quinta-feira (26), na saída em massa de prefeitos da sigla. O movimento expõe um racha político no partido em meio à disputa pelo governo estadual em 2026 e reforça o alinhamento de lideranças municipais ao governador Ratinho Junior (PSD), que decidiu permanecer no cargo até o fim do mandato.
Ao todo, a expectativa do grupo é que 53 prefeitos eleitos pelo PL no estado deixem a legenda. Segundo o prefeito de Assis Chateaubriand e presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Marcel Micheletto, pelo menos 49 gestores já confirmaram a desfiliação. A articulação é liderada pelo deputado federal Fernando Giacobo, que também deixou o comando estadual do partido.
A decisão coletiva foi anunciada após reunião em Curitiba e ocorre em reação direta à escolha de Moro como pré-candidato do PL ao Palácio Iguaçu. Para os prefeitos, a mudança de rumo da sigla rompe com o alinhamento político anteriormente mantido com o governo estadual.
Durante o encontro, Giacobo fez críticas à filiação do ex-juiz e relembrou episódios de seu rompimento com o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2020. “Quem gosta de Jair Bolsonaro não pode ladear um cidadão que quis botar Jair Bolsonaro na cadeia”, afirmou o parlamentar, ao defender coerência política dentro do partido.
O movimento também atinge lideranças de cidades estratégicas do estado. Prefeitos de municípios importantes, como Renato Silva de Cascavel e Silva e Luna, de Foz do Iguaçu, aderiram à desfiliação coletiva, reforçando o impacto político da decisão em regiões de grande peso eleitoral.
Marcel Micheletto destacou que a saída em bloco busca manter unidade entre os gestores e preservar o apoio ao atual governo. Segundo ele, a decisão foi tomada de forma conjunta e visa dar continuidade a um projeto político alinhado à gestão estadual. “Não podemos abandonar um governador que tem parceria com os municípios”, afirmou.
A crise interna ganhou força após a filiação de Moro ao PL, oficializada na terça-feira (24), em Brasília. A articulação teve o aval da ala nacional do partido e contou com apoio do senador Flávio Bolsonaro, que declarou confiança no nome do ex-juiz para disputar o governo do Paraná.
“Foi com muita alegria que abrimos as portas do PL para você ser o nosso pré-candidato ao governo do Estado”, afirmou Flávio durante o ato de filiação.
Apesar da resistência interna, Moro aparece bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto, o que influenciou diretamente o cenário político estadual. A dificuldade em consolidar um nome competitivo também foi apontada como um dos fatores que levaram Ratinho Junior a desistir de uma possível candidatura à Presidência da República.
Com a permanência no governo, Ratinho Jr. agora articula a escolha de um sucessor. Entre os nomes cotados estão o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, atualmente no MDB, e o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel. O Secretário das Cidades, Guto Silva, que era o nome forte de Ratinho para a disputa do governo, foi colocado e lado nos últimos dias e não deve ser candidato.
Do outro lado, a nova direção estadual do PL, agora sob comando do deputado federal Filipe Barros, tenta conter os efeitos da debandada. Ele afirmou que o partido buscará diálogo com prefeitos, vereadores e lideranças políticas para reorganizar a base no estado.
Em nota, Sergio Moro declarou que movimentações partidárias são comuns em períodos pré-eleitorais e que acredita no fortalecimento da sigla após a reorganização interna.
A debandada evidencia a divisão dentro do PL paranaense e antecipa um cenário de disputa acirrada pelo governo do estado. De um lado, o grupo alinhado ao governador Ratinho Junior busca manter a continuidade administrativa; de outro, a ala nacional do partido aposta no capital político de Moro para liderar o projeto eleitoral em 2026.
