Créditos: PF/Divulgação
PF faz operação contra suposto esquema para atacar o Banco Central nas redes sociais
Nova fase da Operação Compliance Zero mira publicitário investigado por suposto esquema de contratação de influenciadores e jornalistas para campanhas contra o Banco Central
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (9), a 10ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga a atuação de um suposto grupo organizado para comprometer a credibilidade e a atuação do Banco Central por meio de ações coordenadas nas redes sociais.
A operação cumpre dois mandados de busca e apreensão em Brasília, expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que apura o chamado caso Master.
O principal alvo da nova fase é o publicitário Thiago Miranda, apontado nas investigações como ligado ao empresário Daniel Vorcaro.
Segundo a decisão do ministro André Mendonça, Thiago Miranda seria o principal articulador de um esquema destinado a recrutar influenciadores digitais e jornalistas mediante contratos sigilosos e pagamentos que poderiam chegar a R$ 2 milhões.
De acordo com as investigações, o objetivo seria promover campanhas para descredibilizar órgãos públicos, atacar a atuação do Banco Central e influenciar a opinião pública.
A Polícia Federal também apura a possível existência de uma organização criminosa dedicada à intimidação de jornalistas, ao monitoramento de pessoas ligadas a autoridades públicas e à obtenção ilegal de informações sigilosas.
Conforme os investigadores, o grupo utilizava dados obtidos de forma ilícita, incluindo informações financeiras, cadastrais e até dados de familiares de jornalistas e concorrentes, para pressionar e intimidar pessoas que contrariavam os interesses da organização.
Na decisão judicial, André Mendonça autorizou a apreensão de documentos físicos e eletrônicos, computadores, celulares, dispositivos de armazenamento de dados, mídias digitais, além de bens de alto valor e quantias em dinheiro em espécie superiores a R$ 20 mil.
Além da suposta campanha de desinformação, a PF investiga indícios de tentativas de interferência em investigações criminais em andamento.
Segundo a corporação, os fatos apurados podem caracterizar, em tese, crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço à investigação de organização criminosa, além de possíveis violações de dados e de dispositivos informáticos.
As investigações prosseguem para esclarecer a atuação do grupo, identificar outros envolvidos e reunir novas provas sobre o funcionamento do esquema.
