turcatto principal 2

Pela memória dos guerreiros de Condá

Fora das quatro linhas, a história de 2016 segue presente de forma organizada e respeitosa

Por Gazeta do Paraná

Pela memória dos guerreiros de Condá Créditos: Foto: Bruno Rodrigo/GP

Perto de completar dez anos da tragédia aérea de 2016, a Chapecoense segue convivendo com a própria história de forma permanente. A memória não está restrita a discursos ou datas específicas. Ela aparece nos espaços, nos símbolos e na maneira como o clube se relaciona com a cidade e com o futebol. Em 2026, quando se completa uma década do acidente que vitimou 71 pessoas, o Verdão vive um novo capítulo esportivo ao mesmo tempo em que preserva aquilo que nunca deixou de fazer parte de sua identidade.

O retorno à Série A do Campeonato Brasileiro acontece justamente nesse ano simbólico. A Chapecoense havia sido rebaixada em 2021 e, desde então, enfrentou temporadas de instabilidade na Série B, muitas vezes mais preocupada em evitar novas quedas do que em projetar crescimento. Em 2025, porém, o clube conseguiu reorganizar seu futebol, construir uma campanha consistente e garantir o acesso. A volta à elite foi marcada por uma vitória expressiva por 4 a 2 sobre o Santos, na Arena Condá, resultado que simbolizou mais do que três pontos: representou a retomada de espaço no cenário nacional do futebol, apoiado por uma torcida que lotou as arquibancadas e cadeiras do estádio.

Fora das quatro linhas, a história de 2016 segue presente de forma organizada e respeitosa. Todos os anos, especialmente no mês de novembro, a Chapecoense promove homenagens às vítimas do acidente aéreo. Ao longo do tempo, essas ações deixaram de ser apenas rituais pontuais e passaram a integrar a rotina do clube. A memória não é tratada como passado distante, mas como parte do caminho que segue sendo percorrido.

Essa relação fica evidente no entorno da Arena Condá. Ao lado do estádio está o Átrio Daví Barela Dávi, um espaço dedicado a contar a história do maior luto já vivido por Chapecó. O próprio nome ajuda a compreender o sentido do local. Átrio é o ambiente que antecede um espaço principal. Nesse caso, antecede o estádio, o jogo e a festa do futebol. É um convite à pausa e à reflexão.

Átrio Daví Barela Dávi. Foto: Bruno Rodrigo/GP

A área, com 1.286 metros quadrados, foi revitalizada por iniciativa de um grupo imobiliário da cidade, que adotou o espaço com o objetivo de eternizar os jogadores da Associação Chapecoense de Futebol e as demais vítimas do voo de novembro de 2016. O átrio fica próximo ao mural “O Gol Eterno”, que registra a jogada que “marcaria” o título da Copa Sul-Americana de 2016, interrompida pela tragédia. Na imagem, os 11 titulares da Chapecoense trocam passes em direção ao interior da Arena Condá, enquanto os reservas aparecem representados na parte inferior.

O espaço também abriga uma cápsula do tempo com cartas enviadas de diferentes partes do mundo. São mensagens de apoio ao clube, à cidade de Chapecó e ao povo colombiano, que ajudam a contar como a tragédia ultrapassou fronteiras e criou laços de solidariedade. No centro do átrio, uma fonte traz o mapa da América do Sul, com dois pontos de luz: Chapecó e Medellín, representando a conexão construída entre as duas cidades. 

Ao redor do lago, 71 luzes verdes e 71 quedas d’água simbolizam cada uma das vítimas do acidente. Na borda externa, os nomes estão gravados a laser. Entre eles está Caio Júnior, técnico da Chapecoense em 2016, nascido e criado em Cascavel, uma das figuras mais vitoriosas do esporte cascavelense e referência para a cidade.

Nome de Caio Junior eternizado na memória da Chapecoense. Foto: Bruno Rodrigo/GP

 Há também nas proximidades, o mural “Pra Sempre Chape”, que eterniza o apoio a equipe em meio a tragédia.

Dez anos depois, a Chapecoense demonstra que preservar a memória não significa ficar presa ao passado. No ano em que retorna à Série A, o clube mostra que reconstrução e lembrança caminham juntas. A história segue registrada nos muros, nos nomes e nas homenagens, enquanto o futebol segue ocupando seu espaço no campo. É dessa convivência entre passado e presente que a Chapecoense continua escrevendo sua trajetória.

Mural "Pra Sempre Chape". Foto: Bruno Rodrigo/GP

 

Créditos: Bruno Rodrigo Acesse nosso canal no WhatsApp