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Nilson Müller morre aos 84 anos e deixa legado na arte e na cultura do Paraná

Artista plástico, ilustrador e cenógrafo faleceu aos 84 anos e deixa legado decisivo para as artes visuais e a identidade cultural paranaense

Nilson Müller morre aos 84 anos e deixa legado na arte e na cultura do Paraná Créditos: Anderson Tozatto

A cultura paranaense se despediu, nesta segunda-feira (5), de Nilson Waldir Müller, artista plástico, ilustrador, escultor e cenógrafo que marcou de forma profunda as artes visuais do Paraná. Nascido em 1941, em Curitiba, Müller morreu aos 84 anos e é reconhecido, entre outros trabalhos, por modernizar o personagem Zequinha, um dos maiores ícones da cultura popular do Estado.

Nilson iniciou sua trajetória artística ainda na infância, quando copiava histórias em quadrinhos, e construiu uma carreira decisiva para a consolidação da ilustração, da cenografia e das narrativas gráficas no Paraná. Aos 12 anos, teve contato com o artista Guido Viaro no Centro Juvenil de Artes Plásticas, experiência que o levou a cursar a Faculdade de Belas Artes. Durante a formação, estudou desenho, pintura, xilogravura e modelagem, tendo aulas com mestres como Osvaldo Lopes.

Ainda jovem, recebeu orientação de Thorsten Andersen, filho do pintor Alfredo Andersen, e teve trabalhos reconhecidos em importantes salões artísticos do Estado, como o Salão dos Novos da Biblioteca Pública do Paraná. Aos 16 anos, profissionalizou-se e tornou-se o primeiro cenógrafo de televisão do Paraná, abrindo caminhos para a linguagem visual no meio televisivo local.

Ao longo da carreira, Nilson Müller atuou intensamente na ilustração publicitária e editorial, na pintura e na criação de personagens que se tornaram parte da identidade cultural paranaense. Apaixonado por histórias em quadrinhos, recebeu prêmios no Salão Paranaense, no Salão dos Novos da Biblioteca Pública do Paraná, no Salão do Santa Mônica Clube de Campo e foi agraciado com o Prêmio Qualidade Brasil.

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Para a secretária de Estado da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, o artista deixa uma contribuição fundamental para a história cultural do Estado. Segundo ela, a obra de Nilson Müller segue inspirando artistas e públicos de diferentes gerações e ajudou a moldar a identidade visual curitibana e paranaense.

O legado do Zequinha

Criado originalmente em 1928 para promover a venda de balas fabricadas pelos irmãos Sobania, o personagem Zequinha tornou-se um símbolo da cultura paranaense ao longo das décadas. Inspirado em um palhaço paulista, foi desenhado inicialmente por Alberto Thiele e Paulo Carlos Rohrbach.

Nilson Müller teve contato com o personagem ainda na infância e, em 1979, foi o responsável por redesenhar e modernizar o Zequinha para o álbum de figurinhas Clube do Zequinha, lançado em uma campanha do Governo do Estado para incentivar o recolhimento do ICMS. Na época, Müller trabalhava como desenhista comercial para agências de Curitiba e foi contratado para desenvolver os estudos do personagem.

As figurinhas podiam ser trocadas por notas fiscais e se tornaram um marco da memória afetiva de gerações de paranaenses. Em 2021, durante o aniversário de Curitiba, o Zequinha foi relançado com novas ilustrações assinadas por Nilson Müller, retratado em cerca de 200 atividades diferentes, além de figurinhas especiais.

Relação com os espaços culturais

A trajetória de Nilson Müller também se confunde com a história de importantes equipamentos culturais do Paraná. Além da formação no Centro Juvenil de Artes Plásticas e no Museu Casa Alfredo Andersen, alguns cenários retratados nas figurinhas do Zequinha incluem o Museu Oscar Niemeyer, o Museu Paranaense e a própria Casa Alfredo Andersen.

Em entrevistas, Müller relatou a forte ligação afetiva com o Museu Casa Alfredo Andersen, que frequentava desde jovem. Segundo ele, a convivência com Thorsten Andersen foi determinante para sua formação artística e para o início precoce de sua atuação profissional.

Para o diretor do Complexo Alfredo Andersen, Luiz Gustavo Vidal, o Zequinha ultrapassa o campo da ilustração e se consolida como símbolo de identidade e memória afetiva do Paraná. Segundo ele, o legado de Nilson Müller permanece vivo na cultura e na lembrança dos paranaenses.

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