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Lórens Nogueira é afastado do cargo por 90 dias em investigação sobre “rachadinha” em Curitiba

Vereador do PP é réu por concussão, foi proibido de frequentar a Câmara e de manter contato com envolvidos no caso; Comissão Processante também recomendou a cassação do mandato

Lórens Nogueira é afastado do cargo por 90 dias em investigação sobre “rachadinha” em Curitiba Créditos: Divulgação

A Justiça determinou nesta quinta-feira (13) o afastamento cautelar, pelo prazo de 90 dias, do vereador de Curitiba Lórens Nogueira (PP), investigado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) por suspeita de prática de “rachadinha”. A decisão foi tomada pela 7ª Vara Criminal de Curitiba após pedido do Núcleo de Curitiba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco.

Além de deixar temporariamente o cargo, Lórens Nogueira está proibido de frequentar as dependências da Câmara Municipal de Curitiba e de manter qualquer tipo de contato, direto ou indireto, com as demais pessoas envolvidas na investigação. A medida tem caráter cautelar e busca evitar possíveis interferências no andamento do processo.

O vereador é réu por cinco acusações de concussão. De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, entre novembro de 2025 e abril de 2026, Lórens teria exigido de uma assessora comissionada o repasse mensal de R$ 5 mil. Segundo a investigação, a servidora teria sido ameaçada de demissão caso não entregasse o dinheiro.

A concussão ocorre quando um funcionário público exige vantagem indevida em razão da função. Para esse crime, a pena prevista é de dois a 12 anos de prisão, além de multa. O Ministério Público também pediu a perda do cargo público e o pagamento de pelo menos R$ 25 mil à vítima, como reparação pelos danos causados, além de R$ 50 mil por danos morais coletivos.

Um dos elementos que integram a investigação é uma gravação autorizada pela Justiça na qual Lórens Nogueira aparece recebendo R$ 5,6 mil em dinheiro vivo de uma servidora. O vereador nega que o dinheiro tenha relação com qualquer esquema de devolução de salários. Segundo a versão apresentada por ele, o valor seria referente ao pagamento de um empréstimo de R$ 12 mil feito em dinheiro.

Comissão Processante recomenda cassação

Paralelamente à investigação criminal, o vereador enfrenta um processo por quebra de decoro parlamentar na Câmara Municipal de Curitiba. A Comissão Processante que analisou o caso concluiu nesta quinta-feira pela cassação do mandato de Lórens Nogueira.

O relatório agora será encaminhado à presidência da Câmara, que deverá convocar uma sessão plenária para que os vereadores decidam sobre a perda do mandato. Para que a cassação seja aprovada, são necessários os votos favoráveis de dois terços dos parlamentares.

Segundo o relatório, a cobrança de parte dos salários teria envolvido uma servidora que ocupava um cargo comissionado no Departamento de Trânsito do Paraná, o Detran-PR, por indicação de Lórens Nogueira.

Para o relator do processo, vereador Da Costa (Pode), ficou comprovado que o parlamentar teria utilizado as prerrogativas do mandato e sua influência para pressionar a servidora a devolver periodicamente parte da remuneração em benefício próprio.

Servidora relata pressão

Durante as investigações, a servidora afirmou ao Ministério Público que enfrentou dificuldades financeiras para conseguir entregar os valores exigidos. Segundo o depoimento, ela teria recorrido à família e chegou a fazer um empréstimo para conseguir reunir o dinheiro.

A mulher relatou ainda que precisava participar de eventos promovidos pelo instituto presidido por Lórens Nogueira, inclusive durante fins de semana e feriados. Ela afirmou que trabalhava por longas jornadas e que, em algumas situações, precisava arcar com despesas de transporte e alimentação com recursos próprios.

Operação encontrou dinheiro em espécie

Lórens Nogueira também foi alvo de uma operação do Gaeco realizada no fim de maio. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao vereador, os investigadores encontraram uma mala com aproximadamente R$ 70 mil em dinheiro vivo e uma mochila contendo outros R$ 12 mil em envelopes.

Em depoimento ao Ministério Público, o vereador afirmou que o dinheiro seria resultado de economias acumuladas ao longo dos anos. Segundo ele, trabalha como assessor político desde 2015.

Após a operação, a Câmara Municipal de Curitiba admitiu uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o vereador. Lórens ocupava, até então, a presidência do Conselho de Ética da Casa, mas deixou a função após a repercussão do caso.

Defesa contesta acusação

A defesa de Lórens Nogueira contesta tanto as acusações criminais quanto o relatório que recomenda a cassação do mandato. Os advogados afirmam que o documento apresentado pela Comissão Processante não estaria de acordo com as provas produzidas durante a instrução.

Segundo a defesa, a acusação seria sustentada principalmente pelo depoimento da denunciante, que, de acordo com os advogados, teria admitido não ter presenciado determinados fatos. A defesa também afirma que outras testemunhas apresentaram versões diferentes da acusação.

O Ministério Público, por sua vez, sustenta que o afastamento cautelar é necessário para preservar a ordem pública e garantir que o processo avance sem possíveis interferências. A denúncia criminal já foi recebida pelo Judiciário e o processo tramita sob o número 0007515-54.2026.8.16.0196.

Com a decisão judicial, Lórens Nogueira permanece afastado do cargo por 90 dias, enquanto o processo criminal continua em andamento. Na esfera política, a decisão sobre a eventual cassação do mandato ainda depende de votação do plenário da Câmara Municipal de Curitiba.

Foto: Divulgação 

 

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