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Janja se emociona em audiência na Alep sobre combate ao feminicídio
Primeira-dama participou de debate sobre políticas de prevenção à violência contra a mulher, apresentou dados nacionais e deixou o local sem falar com a imprensa
A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) recebeu, ontem (18), uma audiência pública para discutir os resultados do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. O evento reuniu autoridades federais, estaduais e do Judiciário para apresentar dados e discutir ações de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres.
Entre os participantes estavam a primeira-dama Janja da Silva, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães, além de parlamentares e representantes das áreas de segurança pública, políticas para mulheres e Justiça.
Janja abriu sua participação lembrando mulheres vítimas de feminicídio no Paraná e destacou que grande parte dos crimes é cometida por parceiros ou ex-companheiros. Segundo dados apresentados durante a audiência, cerca de 79% dos casos de feminicídio no país envolvem homens que mantinham ou mantiveram relacionamento com as vítimas.
Em tom emocionado, a primeira-dama afirmou que nenhuma mulher deveria perder a vida por decidir encerrar um relacionamento, reconstruir a própria vida ou buscar novas experiências. Durante o discurso, Janja também se emocionou ao recordar o período em que trabalhou na própria Assembleia Legislativa e colegas que passaram pela instituição.
Dados apresentados na audiência apontam que o Brasil registrou 399 vítimas de feminicídio entre janeiro e março de 2026. O Paraná aparece entre os estados com maior número de mortes, com 33 casos no período.
Apesar do cenário nacional, o Paraná apresentou redução de 20% nos registros de feminicídio entre 2024 e 2025, segundo dados citados durante o encontro. A secretária estadual da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, Mariana Neris, afirmou que o resultado demonstra avanços, mas ressaltou que a redução ainda não significa que o problema esteja resolvido.
A ministra Márcia Lopes, que nasceu em Londrina, destacou a adesão do Paraná ao Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, lançado em fevereiro deste ano. Segundo ela, a iniciativa busca integrar os três Poderes e fortalecer a rede de proteção, a responsabilização dos agressores e as ações de prevenção.
“Temos que zerar o feminicídio e entender que nenhuma mulher pode conviver com qualquer tipo de violência, da menor à mais grave, que é o feminicídio”, afirmou a ministra.
A deputada federal Carol Dartora chamou atenção para o recorte racial da violência. Segundo dados mencionados por ela, 65% das vítimas de feminicídio no Brasil são mulheres negras. Para a parlamentar, políticas de combate à violência contra as mulheres precisam também considerar o enfrentamento ao racismo e investimentos em regiões periféricas.
O presidente da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná, desembargador Luiz Osório Moraes Panza, destacou que o feminicídio deve ser compreendido como a etapa final de um processo de violência. Segundo ele, a prevenção precisa começar diante de situações de violência psicológica, sexual, moral, econômica ou de gênero.
O secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, defendeu que as ações previstas no pacto sejam implementadas de forma articulada também nos estados e municípios. Já o ministro José Guimarães ressaltou o aumento da procura por canais de denúncia e a importância de ampliar os espaços para que mulheres possam relatar situações de violência.
A audiência pública, promovida pelas deputadas estaduais Ana Júlia Ribeiro e Luciana Rafagnin, ambas do PT, começou com mais de uma hora de atraso e durou pouco mais de duas horas.
Ao final do encontro, os demais participantes atenderam a imprensa. Janja, no entanto, deixou a Assembleia Legislativa sem conversar com os jornalistas.
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