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Garrincha e o Botafogo: a história do craque que virou símbolo do futebol-arte

Camisa 7 marcou a era mais vitoriosa do clube carioca e deixou um legado que atravessa gerações no futebol brasileiro

Garrincha e o Botafogo: a história do craque que virou símbolo do futebol-arte Créditos: Arquivo Lance

Poucos nomes se confundem tanto com a identidade de um clube quanto Garrincha com o Botafogo. Dono de um estilo irreverente, dribles imprevisíveis e alegria espontânea, o ponta-direita construiu no time alvinegro o capítulo mais marcante de sua carreira e se consolidou como um dos maiores ídolos da história do futebol nacional.

Entre as décadas de 1950 e 1960, Garrincha foi o principal rosto da fase mais gloriosa do Botafogo. Em um período repleto de esquadrões históricos, o clube reuniu jogadores que formariam a base da Seleção Brasileira bicampeã do mundo. Nenhum, porém, simbolizou tanto esse momento quanto o camisa 7.

Sua importância vai além de estatísticas. Garrincha redefiniu o papel do ponta-direita, desequilibrando partidas praticamente sozinho e transformando jogos comuns em verdadeiros espetáculos. Com ele em campo, o Botafogo enfrentou de igual para igual, e frequentemente superou grandes forças do futebol brasileiro, como o Santos de Pelé e os principais clubes do eixo Rio–São Paulo.

Mesmo após o encerramento da carreira, a imagem de Garrincha segue intimamente ligada ao clube. Ele não foi apenas um grande jogador do Botafogo. Foi o atleta que projetou o Alvinegro como referência mundial do futebol-arte.

Início e trajetória no clube

Garrincha estreou oficialmente pelo Botafogo em 19 de julho de 1953, contra o Bonsucesso, pelo Campeonato Carioca. A primeira atuação já indicava o que viria pela frente: marcou três gols na vitória por 6 a 3 e apresentou ao público um talento fora do padrão.

Ele vestiu a camisa alvinegra entre 1953 e 1965, período que corresponde ao auge absoluto de sua carreira. Após a Copa do Mundo de 1962, houve uma breve saída, mas o retorno ocorreu em 1964, permanecendo até 1965, quando encerrou sua trajetória no clube.

Depois disso, passou por outras equipes, como Corinthians, Portuguesa Santista e Flamengo. Nenhuma dessas passagens, no entanto, teve o mesmo impacto técnico, emocional e simbólico de sua história no Botafogo.

Números pelo Botafogo

Os dados variam conforme o critério adotado, mas as principais fontes históricas apontam:

Jogos: entre 581 e 614 partidas

Gols: entre 232 e 245

Posição: um dos maiores artilheiros da história do clube

Em confrontos contra grandes rivais nacionais, o desempenho do Botafogo com Garrincha em campo foi amplamente favorável, reforçando sua fama de decisivo em jogos grandes.

Marcas e feitos inesquecíveis

Entre os feitos individuais mais lembrados estão:

Cinco gols olímpicos, marca raríssima no futebol profissional

Desempenho dominante em clássicos, especialmente contra o Flamengo

Protagonismo em torneios internacionais amistosos, fundamentais para a projeção global do clube

Mais do que números, Garrincha deixou estatísticas intangíveis: zagueiros desconcertados, defesas desmontadas e partidas decididas com lances que permanecem na memória coletiva.

Títulos com a camisa alvinegra

Com Garrincha como principal estrela, o Botafogo viveu sua era dourada:

Estaduais

Campeonato Carioca: 1957, 1961 e 1962

Interestaduais

Torneio Rio–São Paulo: 1962 e 1964

Internacionais

Torneio Internacional de Paris (1963)

Torneio Pentagonal do México (1958)

Torneio Internacional da Colômbia (1960)

Torneio Quadrangular Interestadual (1954)

À época, essas conquistas tinham grande prestígio e ajudaram a consolidar o Botafogo entre os clubes mais respeitados do mundo.

Estilo de jogo e legado

Garrincha atuava como ponta-direita clássico, mas com características únicas. Dribles curtos, aceleração explosiva, cruzamentos precisos e uma capacidade rara de decidir partidas sozinho marcaram seu estilo. Suas pernas tortas, longe de serem limitação, tornaram-se vantagem técnica.

No Botafogo, formou com Didi uma das duplas mais emblemáticas da história do futebol, liderando um time que encantou torcedores no Brasil e no exterior. Foi também peça fundamental da Seleção Brasileira campeã mundial em 1958 e 1962, sendo protagonista absoluto no título do Chile.

Ainda assim, foi no Botafogo que sua genialidade encontrou palco ideal. Garrincha permanece como símbolo máximo do futebol-arte. No Alvinegro, não foi apenas um craque. Foi a personificação da alegria, da irreverência e da capacidade de transformar o futebol em espetáculo eterno.

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