Gaeco denuncia três investigados por esquema de propina em Bandeirantes
Investigação da Operação Fim da Trilha apura pagamento de R$ 10 mil para acesso a celular apreendido e retirada de provas; policial também foi denunciado por posse irregular de armas
Créditos: Reprodução / PCPR
O Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR), ofereceu nesta quarta-feira (9) duas denúncias criminais contra três pessoas investigadas na Operação Fim da Trilha. A operação apura suspeitas de recebimento de vantagens indevidas e outros crimes envolvendo um servidor da Polícia Civil lotado na 39ª Delegacia Regional de Polícia Civil, em Bandeirantes, no Norte Pioneiro do Paraná.
Segundo o Gaeco, as investigações começaram a partir de um relatório encaminhado pelo 18º Batalhão da Polícia Militar.
Durante a apuração, os investigadores identificaram que um policial civil teria utilizado a atuação de advogados para intermediar o recebimento de propina.
Em um dos casos apontados pelo Ministério Público, o investigador teria cobrado e recebido R$ 10 mil para permitir que um advogado tivesse acesso a um aparelho celular apreendido e mantido sob custódia da delegacia.
De acordo com a denúncia, o objetivo era possibilitar a exclusão de dados que estavam armazenados no aparelho e que poderiam servir como provas.
Investigação também encontrou armas na delegacia
Além das suspeitas relacionadas a crimes contra a administração pública, a investigação também resultou em denúncias por crimes previstos no Estatuto do Desarmamento.
Em 23 de abril deste ano, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão da Operação Fim da Trilha, em Bandeirantes e Cambará, o investigador foi encontrado com armas e munições dentro da delegacia.
Segundo o MPPR, ele mantinha sob sua guarda, de forma irregular, um revólver e dezenas de munições de diferentes calibres.
O material incluía munições de calibres classificados como de uso permitido e de uso restrito.
Três pessoas foram denunciadas
Ao todo, os três investigados foram denunciados pelos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, posse irregular de arma de fogo de uso permitido e posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
Além de pedir a condenação dos denunciados, o Ministério Público solicitou à Justiça a perda do cargo público do policial civil, caso ele seja condenado nos termos requeridos.
O Gaeco também pediu o perdimento dos valores obtidos de forma ilícita no suposto esquema.
Outro pedido apresentado à Justiça foi o arbitramento cumulativo de R$ 100 mil por danos morais coletivos. De acordo com o MPPR, o valor deverá ser destinado aos cofres do Estado do Paraná.
As denúncias apresentadas pelo Gaeco ainda serão analisadas pela Justiça. O oferecimento da denúncia não significa condenação, e os investigados terão direito à defesa e ao contraditório durante o processo.
