Crise na Fifa continua: Uefa mantém boicote e aumenta pressão sobre Gianni Infantino
Mesmo após pedido de desculpas e promessa de reformas, a Uefa afirma que continua sem confiança em Gianni Infantino. Conmebol também cobra mudanças na governança da Fifa
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A crise política na Fifa está longe de terminar. Mesmo após a entidade pedir desculpas às suas 211 federações nacionais e prometer rever seus processos internos, a Uefa reafirmou nesta quinta-feira (7) que continuará boicotando as competições organizadas pela Federação Internacional enquanto não houver mudanças concretas na gestão liderada por Gianni Infantino.
O posicionamento da entidade europeia ocorre um dia depois de a cúpula da Fifa se reunir em Rabat, no Marrocos, para manifestar apoio público ao presidente e tentar encerrar a crise provocada pela proposta de venda de uma participação nos direitos comerciais futuros da Copa do Mundo.
Em comunicado, a Fifa reconheceu que a proposta foi conduzida de forma inadequada e admitiu que o Conselho da entidade e as federações nacionais deveriam ter participado mais ativamente das discussões.
A entidade também anunciou que fará uma revisão dos procedimentos internos para evitar que situações semelhantes se repitam. O relatório será apresentado na próxima reunião do Conselho da Fifa.
Uefa mantém críticas
Apesar do recuo da Fifa, a Uefa afirmou que as medidas adotadas não atendem às exigências feitas pela entidade para encerrar o boicote.
Segundo a organização que administra o futebol europeu, duas condições eram consideradas essenciais: a retirada definitiva dos planos de venda das principais competições da Fifa e a garantia de que iniciativas semelhantes não voltem a ser discutidas.
"Essas condições não foram atendidas", afirmou a Uefa em comunicado.
A entidade reforçou ainda que continua sem confiança na presidência de Gianni Infantino.
"A Uefa deixou bem claro em seu comunicado no sábado que perdeu a confiança na presidência de Gianni Infantino. Essa posição permanece", destacou.
O órgão europeu também afirmou que o apoio recebido por Infantino de funcionários da própria Fifa não altera seu posicionamento, argumentando que esses dirigentes possuem vínculo profissional com a atual administração.
Conmebol também cobra mudanças
A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) também voltou a demonstrar preocupação com a condução da Fifa. Em nota, a entidade criticou decisões tomadas de forma unilateral e defendeu maior diálogo entre os integrantes da comunidade do futebol.
Segundo a Conmebol, é fundamental preservar os mecanismos de governança implantados nos últimos anos para garantir transparência nas decisões da entidade.
O conselho da confederação lembrou ainda que as candidaturas à presidência da Fifa poderão ser registradas até 18 de novembro e ressaltou que o próximo presidente será escolhido pelo Congresso da entidade em 2027.
Diante desse cenário, a Conmebol afirmou que não apoiará iniciativas que desrespeitem os mecanismos institucionais atualmente previstos.
Futuro da gestão segue indefinido
Embora a Fifa tenha adotado um discurso conciliador após a reunião realizada em Marrocos, permanecem as dúvidas sobre o alcance das reformas prometidas e se elas serão suficientes para reduzir a pressão sobre Gianni Infantino antes da próxima eleição presidencial.
A Uefa, por sua vez, ainda não informou se o boicote será estendido à Copa do Mundo Feminina Sub-20, marcada para o próximo mês na Polônia, mantendo em aberto mais um capítulo da crise institucional que envolve a principal entidade do futebol mundial.
