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Copel pagará R$ 1,35 bilhão em dividendos em meio a críticas sobre serviço no Paraná

Privatizada, companhia confirma distribuição milionária a acionistas enquanto enfrenta questionamentos sobre qualidade do fornecimento

Por Da Redação

Copel pagará R$ 1,35 bilhão em dividendos em meio a críticas sobre serviço no Paraná Créditos: Copel

A Companhia Paranaense de Energia (Copel) confirmou que fará, no dia 30 de junho de 2026, o pagamento de R$ 1,35 bilhão em dividendos a seus acionistas. O montante bilionário, será distribuído a investidores que detinham ações da companhia até o fim do pregão de 30 de dezembro de 2025, data que definiu o direito ao recebimento dos proventos.

O valor corresponde a aproximadamente R$ 0,45 por ação ordinária (CPLE3). Desde o dia 2 de janeiro de 2026, os papéis da empresa passaram a ser negociados na condição “ex-dividendo”, ou seja, sem garantir acesso a essa remuneração. O pagamento será realizado por meio de crédito automático em conta bancária cadastrada junto ao agente de custódia dos acionistas.

A distribuição ocorre após a aprovação dos dividendos ainda em dezembro de 2025, com base nos resultados financeiros da companhia. O setor elétrico, de modo geral, é conhecido por oferecer retornos consistentes aos investidores por meio desse tipo de remuneração, e a Copel historicamente figura entre as empresas com forte política de distribuição de lucros.

Dados de mercado indicam que, ao longo dos últimos dez anos, a empresa apresentou desempenho relevante para investidores. Segundo levantamento do portal Investidor10, uma aplicação de R$ 1 mil em ações da Copel há uma década teria se transformado em mais de R$ 18 mil, considerando o reinvestimento de dividendos. No mesmo período, o Ibovespa teria apresentado retorno significativamente menor.

Apesar dos números positivos para acionistas, o pagamento ocorre em um contexto de críticas à qualidade dos serviços prestados pela companhia, especialmente após sua privatização. Produtores rurais no Paraná têm relatado prejuízos recorrentes associados a falhas no fornecimento de energia elétrica, com impactos diretos em atividades agrícolas e agroindustriais.

As reclamações envolvem interrupções frequentes, demora no restabelecimento do serviço e dificuldades no atendimento, fatores que, segundo representantes do setor produtivo, têm gerado perdas financeiras e insegurança operacional no campo. O tema tem sido alvo de debates entre entidades rurais e autoridades estaduais.

Além das críticas locais, a Copel também apresentou desempenho abaixo do esperado em avaliações nacionais. No ranking mais recente da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a companhia aparece apenas na 27ª colocação entre distribuidoras de energia do país, um indicativo de insatisfação com indicadores de qualidade e continuidade do serviço.

A posição no ranking reforça o cenário de pressão sobre a empresa, que, ao mesmo tempo em que mantém uma robusta política de distribuição de dividendos, enfrenta desafios operacionais e de imagem perante consumidores.

Com mais de 65 anos de atuação, a Copel atende cerca de 4,7 milhões de unidades consumidoras em 395 municípios paranaenses e mais de 1.100 localidades. A empresa opera 46 usinas próprias e participa de outros empreendimentos de geração, totalizando capacidade instalada de aproximadamente 6.400 megawatts. Além disso, mantém projetos estratégicos de transmissão em diferentes regiões do país.

A distribuição dos dividendos bilionários reforça o papel da companhia no mercado financeiro, mas também amplia o contraste com as demandas por melhorias no serviço prestado à população. O cenário coloca em evidência o desafio de equilibrar retorno aos investidores com a necessidade de avanços na qualidade do fornecimento de energia, especialmente em regiões fortemente dependentes da atividade elétrica para produção econômica.

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