Copa do Mundo: Grupo D mistura o fator casa, raça sul-americana e forças emergentes
Grupo D reúne chaves de equilíbrio extremo, onde o favoritismo dos anfitriões será testado pela resiliência paraguaia, o pragmatismo australiano e a paixão turca
Créditos: Redes Sociais
Faltam 10 dias! O mundo do futebol respira os preparativos finais para a maior Copa do Mundo (em número de seleções) de todos os tempos. Pela primeira vez na história, 48 seleções disputarão o troféu mais cobiçado do esporte, espalhadas por três nações que serão anfitriãs: Estados Unidos, Canadá e México. E falamos agora sobre o Grupo D, que promete ser uma das chaves mais imprevisíveis, equilibradas e de estilos completamente distintos na primeira fase.
Composto por Estados Unidos, Paraguai, Austrália e Turquia, o grupo não conta com nenhuma seleção campeã do mundo, mas transborda competitividade. De um lado, a jovem geração dos Estados Unidos, que tem do seu lado o fator casa; de outro, a tradicional solidez defensiva e raça do Paraguai, a consistência física da Austrália e a técnica da seleção da Turquia.
Abaixo, analisamos o panorama geral do grupo e colocamos o que cada uma das quatro seleções promete para a competição.
Panorama Geral
Para o torcedor que gosta de jogos intensos, o Grupo D se desenha como um território aberto e competitivo. Quando a bola rolar em solo norte-americano, os donos da casa carregarão o favoritismo teórico e o apoio de seus torcedores, mas enfrentarão três escolas de futebol conhecidas por estragar a festa dos favoritos.
O encaixe de estilos é fascinante. Enquanto os Estados Unidos apostam em um futebol moderno, de transição rápida e intensidade, o Paraguai chega blindado pelo uma nova geração com uma defesa muito sólida. Correndo por fora, a Austrália traz o pragmatismo e a força do futebol da Oceania (competindo na Ásia), enquanto a Turquia retorna ao cenário mundial com uma geração jovem e de muito refino técnico.
Olhando a tabela, não há margem para erro. Um tropeço na primeira rodada pode custar a classificação em um grupo onde o equilíbrio é a palavra de ordem.
Estados Unidos: A pressão e o sonho do anfitrião
Foto: Redes Sociais/@USMNT
O Caminho até a Copa
Como um dos três países organizadores do megaevento, os Estados Unidos não precisaram passar pelo desgaste físico e mental das Eliminatórias da CONCACAF. Se por um lado isso garantiu tranquilidade no planejamento e na estrutura, por outro privou os USMNT de testes de fogo em caráter oficial nos últimos anos. A comissão técnica teve de se desdobrar em um calendário preenchido por amistosos internacionais e torneios regionais. A falta de ritmo em partidas de "vida ou morte" é a principal interrogação que ronda a equipe antes da estreia.
O que esperar?
Jogar em casa é sinônimo de apoio, mas também de uma cobrança gigantesca. Coletivamente, a seleção americana aposta em um futebol de muita intensidade física, com jogadores de velocidade que atuam nas principais ligas europeias. É esperado que essa nova geração se firme como a melhor da história dos Estados Unidos, mas o caminho ainda é longo. Espera-se um time que tente pressionar alto e ditar o ritmo das partidas, mas que precisará controlar os nervos para não ceder à ansiedade das arquibancadas.
O Craque
Christian Pulisic (Atacante): O "Capitão América" continua sendo a grande referência técnica e a alma da equipe. Pulisic carrega a responsabilidade de liderar essa geração criativa e transformar o volume de jogo em gols e assistências nos momentos decisivos.
Convocação
Dezessete dos 26 jogadores do anfitrião defendem clubes europeus; técnico Mauricio Pochettino também veio do Velho Continente. As duas principais estrelas do time, o meia Weston McKennie e o meia-atacante Christian Pulisic, por exemplo, jogam no Calcio italiano. O primeiro veste as cores da Juventus, e o segundo, do Milan.
- Goleiros: Chris Brady (Chicago Fire), Matt Freese (New York City FC), Matt Turner (New England Revolution);
- Defensores: Alex Freeman (Villarreal), Antonee Robinson (Fulham), Auston Trusty (Celtic), Chris Richards (Crystal Palace), Mark McKenzie (Toulouse), Max Arfsten (Columbus Crew), Tim Ream (Charlotte), Miles Robinson (Cincinnati), Joe Scally (Borussia Mönchengladbach), Sergiño Dest (PSV);
- Meio-campistas: Brenden Aaronson (Leeds), Cristian Roldan (Seattle Sounders), Gio Reyna (Borussia Mönchengladbach), Malik Tillman (Bayer Leverkusen), Sebastian Berhalter (Vancouver Whitecaps), Tyler Adams (Bournemouth), Weston McKennie (Juventus).
- Atacantes: Alex Zendejas (Club América), Christian Pulisic (Milan), Folarin Balogun (Monaco), Haji Wright (Coventry City), Ricardo Pepi (PSV), Tim Weah (Olympique de Marseille).
Paraguai: A garra e a tradição "Albirroja"
Foto: Redes Sociais/@Albirroja
O Caminho até a Copa
A presença do Paraguai nesta Copa do Mundo é a coroação de uma campanha de pura resiliência nas Eliminatórias Sul-Americanas (CONMEBOL). As eliminatórias exigiram que a Albirroja reencontrasse a sua identidade histórica para retornar a copa, algo que não acontecia desde 2010. Arrancando pontos fundamentais em Assunção e segurando bons resultados fora de casa, o Paraguai carimbou sua vaga demonstrando uma boa consistência.
O que Esperar?
O futebol paraguaio é sinônimo de imposição física, preenchimento de espaços e uma força aérea invejável, tanto na defesa quanto no ataque. O que se pode esperar da equipe é um futebol sem floreios, extremamente competitivo, competitivo ao extremo no sistema defensivo e focado em punir os erros dos adversários em contra-ataques ou bolas paradas. Eles entram no grupo sem o peso do favoritismo, o que os torna perfeitos para o papel de "azarão" perigoso.
O Craque
Julio Enciso (Meio-campista/Atacante): A grande joia do futebol paraguaio. Enciso traz a imprevisibilidade, o drible e o refino técnico que oxigenam o esquema tático rígido da equipe. É o jogador capaz de tirar um coelho da cartola em um chute de longa distância ou jogada individual.
Convocação
O Paraguai foi convocado nesta segunda-feira (01), e conta com uma geração jovem. Destaque para a convocação do "Brasiguaio" Mauricio, jogador do Palmeiras que tem raízes paraguaias e se nacionalizou, sendo convocado para defender a Albirroja. Confira os 26 convocados:
- Goleiros: Orlando Gill, Gatito Fernández e Gastón Olveira;
- Defensores: Juan Cáceres, José Canale, Fabián Balbuena, Omar Alderete, Gustavo Gómez, Alexandro Maidana, Junior Alonso e Gustavo Velázquez;
- Meio-campistas: Braian Ojeda, Damián Bobadilla, Andrés Cubas, Diego Gómez, Alejandro Romero Gamarra, Mauricio e Matías Galarza;
- Atacantes: Gustavo Caballero, Ramón Sosa, Miguel Almirón, Gabriel Ávalos, Isidro Pitta, Álex Arce, Julio Enciso e Antonio Sanabria.
Austrália: A consistência dos "Socceroos"
Foto: Redes Sociais/@Socceroos
O Caminho até a Copa
Nas Eliminatórias Asiáticas (AFC), a Austrália confirmou seu status de força continental sem grandes sustos. Avançando com autoridade nas fases iniciais, os Socceroos demonstraram uma regularidade notável na fase decisiva de grupos. Mostrando que o trabalho coletivo continua sendo o pilar da equipe após o ciclo de 2022, a seleção australiana carimbou seu passaporte de forma antecipada.
O que Esperar?
Se existe uma palavra para definir a Austrália, essa palavra é organização. É uma equipe forte fisicamente, disciplinada taticamente e que utiliza muito bem o jogo direto e as jogadas de linha de fundo para explorar a estatura de seus atacantes. Espera-se uma Austrália madura, acostumada com o clima de Copa do Mundo e pronta para travar o meio-campo de qualquer adversário.
O Craque
Jackson Irvine (Meio-campista): O motor e o líder do meio-campo australiano. Irvine dita o ritmo da equipe com excelente poder de marcação e ótima distribuição. É o termômetro do time: se ele conseguir ditar a intensidade física, a Austrália se torna um time perigoso.
Convocação
O nome mais conhecido da convocação australiana é Maty Ryan, goleiro e capitão da seleção. Aos 34 anos, ele disputa sua quarta Copa do Mundo. Ex-Arsenal, atualmente ele defende o Levante. Confira a lista:
- Goleiros: Patrick Beach, Paul Izzo e Maty Ryan.
- Defensores: Aziz Behich, Jordan Bos, Cameron Burgess, Alessandro Circati, Milos Degenek, Jason Geria, Lucas Herrington, Jacob Italiano, Harry Souttar e Kai Trewin.
- Meio-campistas: Cameron Devlin, Ajdin Hrustic, Jackson Irvine, Connor Metcalfe, Paul Okon-Engstler e Aiden O'Neill.
- Atacantes: Nestory Irankunda, Mathew Leckie, Awer Mabil, Mohamed Toure, Nishan Velupillay, Cristian Volpato e Tete Yengi.
Turquia: o retorno da "boa geração turca"
Foto: Redes Sociais/@MilliTakimlar
O Caminho até a Copa
A caminhada da Turquia nas Eliminatórias Europeias (UEFA) foi marcada por boas exibições e pelo avanço na respecagem após fazer uma fase de grupos quase perfeita, mas ficar atrás da potente Espanha ao ser goleada em casa por 6 a 0. Na repescagem, a Turquia teve dificuldades, mas despachou Romênia e Kosovo vencendo ambas as partidas por 1 a 0. Campanha que ao mesmo tempo foi consistente, foi também arriscada.
O que Esperar?
A Turquia pratica um futebol moderno e muito vistoso, caracterizado pelo controle técnico no meio-campo e transições verticais rápidas. O que se pode esperar é um time corajoso, que que com refino técnico costuma buscar o gol a todo momento, mas que precisará manter a estabilidade defensiva para não ceder espaços em um grupo que pode ter surpresas.
O Craque
Arda Güler (Meio-campista): O "Garoto de Ouro" do futebol turco é a grande esperança e a mente criativa da seleção. Esbanjando personalidade e com um refino técnico impressionante na perna esquerda, o jovem talento do Real Madrid é o jogador que faz a Turquia sonhar alto nesta Copa.
Convocação
A Turquia divulgou até o momento uma lista provisória de 35 nomes, que mescla a liderança de veteranos com jovens talentos que estão encantando a Europa. Confira os convocados:
- Goleiros: Altay Bayindir, Ersin Destanoglu, Mert Gunok, Muhammed Sengezer e Ugurcan Cakir.
- Defensores: Abdulkerim Bardakci, Ahmetcan Kaplan, Caglar Soyuncu, Eren Elmali, Ferdi Kadıoglu, Merih Demiral, Mert Muldur, Mustafa Eskihellaç, Ozan Kabak, Samet Akaydın, Yusuf Akçiçek e Zeki Celik.
- Meio-campistas: Atakan Karazor, Demir Ege Tiknaz, Hakan Calhanoglu, Ismail Yuksek, Kaan Ayhan, Orkun Kokçu e Salih Ozcan.
- Atacantes: Aral Simshir, Arda Guler, Baris Yilmaz, Can Uzun, Deniz Gul, Irfan Kahveci, Kenan Yildiz, Kerem Akturkoglu, Oguz Aydin, Yunus Akgun e Yusuf Sar
Palpite da Redação: Classificam-se Turquia e Paraguai. Devido a equilibrio do grupo, os Estados Unidos são fortes aspirantes a conseguir uma vaga como terceiro colocado. Não se pode também descartar a seleção australiana, que costuma surpreender em copas. É talvez o grupo mais equilibrado da Copa do Mundo.
