Copa do Mundo: Grupo A mistura tradição, incógnitas e sonho africano
Grupo A reúne seleções sem tradição de títulos na Copa do Mundo, mas com potencial para ser uma das chaves mais imprevisíveis do torneio
Créditos: Grupo A
O mundo do futebol já respira os preparativos finais para a maior Copa do Mundo (em número de seleções) de todos os tempos. Pela primeira vez na história, 48 seleções disputarão o troféu mais cobiçado do esporte, espalhadas por três nações que serão anfitriãs: Estados Unidos, Canadá e México. E como dita o protocolo da FIFA, os holofotes iniciais são voltados ao Grupo A, que traz uma mistura de camisas tradicionais e forças emergentes, mas sem nenhum título de copa entre elas.
Composto por México, África do Sul, Coreia do Sul e Tchéquia (República Tcheca), o grupo promete ser um dos mais equilibrados e imprevisíveis da primeira fase. De um lado, a força do fator casa da seleção mexicana; de outro a consistência da Coréia do Sul, a burocrática, mas eficiente seleção Tcheca e a expectativa por surpresas vindas da África do Sul.
Abaixo, analisamos o panorama geral do grupo e colocamos o que cada uma das quatro seleções prometem para a competição.
Panorama Geral
Para o torcedor que acompanhou a Copa do Mundo de 2010, o anúncio do sorteio do Grupo A trouxe um sentimento instantâneo de déjà vu. No dia 11 de junho de 2026, quando a bola rolar no místico e renovado Estádio Azteca, na Cidade do México, os donos da casa enfrentarão a África do Sul na partida de abertura do torneio.
O confronto é uma repetição exata da abertura de 2010, quando sul-africanos e mexicanos empataram por 1 a 1 em Joanesburgo, sob o som ensurdecedor das vuvuzelas e o gol memorável de Siphiwe Tshabalala. Desta vez, contudo, os papéis se invertem: a festa e a pressão, estarão em solo mexicano. O Azteca, inclusive, isola-se ainda mais no Olimpo do futebol ao se tornar o primeiro estádio a receber três aberturas de Copa do Mundo (1970, 1986 e 2026).
Olhando para a tabela e o encaixe de estilos, o Grupo A se desenha como um território perigoso para todos. Embora o México desfrute do favoritismo teórico pela história em copas e por jogar “em casa”, a Coreia do Sul surge como uma das forças asiáticas, enquanto a Tchéquia traz a solidez tática do futebol europeu. A África do Sul, correndo por fora, reencontrou sua melhor forma competitiva retornando a Copa do Mundo pela primeira vez desde 2010, e promete ser o elemento chave no grupo. Não há espaço para tropeços.
México: A Pressão do País Anfitrião
Foto: Redes Sociais/@miseleccionmx
O Caminho até a Copa
Como um dos três países organizadores do megaevento, o México não precisou passar pelo desgaste das Eliminatórias da CONCACAF. Se por um lado isso garantiu tranquilidade no planejamento da seleção, por outro privou a Tri de testes de fogo em caráter oficial nos últimos anos. A comissão técnica mexicana teve de se desdobrar em um calendário preenchido por amistosos internacionais de nível oscilante e torneios regionais como a Nations League da CONCACAF e a Copa Ouro. A falta de ritmo em partidas que realmente valiam algo, é a principal interrogação que ronda a equipe antes da estreia.
O que esperar?
Jogar no México é sinônimo de pressão por parte dos torcedores da Tri. Coletivamente, a seleção mexicana sempre apostou em jogadores de velocidade e de refino técnico, o que não deve mudar para 2026. Com um grupo mais acessível onde é a principal força, espera-se um México dominante com a bola, mas que precisará controlar os nervos para não ceder à cobrança dos torcedores.
O Craque
Santiago Giménez (Atacante): O centroavante é a grande referência da equipe. "Santi" carrega a responsabilidade de converter o volume de jogo mexicano em vitórias. É dele que os torcedores esperam os gols da seleção mexicana.
Convocação
Até o momento o México não anunciou os 26 convocados para a Copa, tendo soltado apenas uma pré-lista com 55 selecionados. Nos próximos dias a seleção mexicana deve anunciar quem serão os escolhidos por Javier Aguirre. Confira os pré-convocados:
Goleiros
Alex Padilla (Athletic Bilbao), Antonio Rodríguez (Tijuana), Carlos Acevedo (Santos Laguna), Guillermo Ochoa (AEL Limassol), Raúl Rangel (Chivas).
Defensores
Bryan González (Chivas), César Montes (Lokomotiv Moscou), Edson Álvarez (Fenerbahce), Eduardo Águila (Atlético de San Luis), Everardo López (Toluca), Israel Reyes (América-MEX), Jesús Angulo (Tigres), Jesús Gallardo (Toluca), Jesús Gómez (Tijuana), Johan Vásquez (Genoa), Jorge Sánchez (PAOK), Julián Araujo (Celtic), Luis Rey (Puebla), Mateo Chávez (AZ Alkmaar), Ramón Juárez (América-MEX), Richard Ledezma (Chivas), Victor Guzmán (Monterrey).
Meio-campistas
Alexei Domínguez (Pachuca), Alexis Gutiérrez (América-MEX), Álvaro Fidalgo (Real Betis), Brian Gutiérrez (Chivas), Carlos Rodríguez (Cruz Azul), Denzell García (Juárez), Diego Lainez (Tigres), Efraín Álvarez (Chivas), Elías Montial (Pachuca), Erick Sánchez (América-MEX), Erik Lira (Cruz Azul), Gilberto Mora (Tijuana), Isaías Violante (América-MEX), Jeremy Márquez (Cruz Azul), Jordan Carrillo (Pumas), Jorge Ruvalcaba (NY Red Bulls), Kevin Castañeda (Tijuana), Luis Chávez (Dinamo Moscou), Marcel Ruiz (Toluca), Obed Vargas, (Atlético de Madrid), Orbelín Pineda (AEK Atenas), Jesús Angulo (Toluca).
Atacantes
Alexis Vega (Toluca), Armando González (Chivas), César Huerta (Anderlecht), Germán Berterame (Inter Miami), Guillermo Martínez (Pumas), Julián Quiñones (Al Qadisiyah), Raúl Jiménez (Fulham), Roberto Alvarado (Chivas), Santiago Giménez (AC Milan).
África do Sul: O Retorno dos "Bafana Bafana"
Foto: Redes Sociais/@Bafana Bafana
O Caminho até a Copa
A presença da África do Sul nesta Copa do Mundo é a coroação de um longo processo de reestruturação do futebol do país, que não frequentava a Copa desde 2010, quando foram anfitriões. Nas Eliminatórias Africanas (CAF), onde apenas os campeões de cada grupo carimbavam o passaporte direto, os Bafana Bafana precisaram demonstrar uma grande consistência para avançar em um grupo difícil com a potência continental Nigéria e com o surpreendente Benin. A África do Sul garantiu sua vaga com apenas duas derrotas e passando por um grave problema: perdeu pontos devido a escalação irregular de jogadores.
O que Esperar?
O futebol sul-africano é conhecido pela criatividade de seus jogadores, apesar do refino técnico não tão bom. Nas eliminatórias, a equipe demonstrou uma evolução deixando para trás uma das potências do continente e deve dificultar a vida de quem enfrentar. O que se pode esperar da equipe é uma disciplina tática, aliada à ousadia de jogadores que não tem nada a perder no mundial. Eles entram no grupo sem o peso do favoritismo, o que os torna ainda mais perigosos.
O Craque
Teboho Mokoena (Meio-campista): O motor do meio-campo sul-africano. Mokoena é o clássico meio campista moderno: dita o ritmo da equipe com excelente distribuição de passes longos, tem um ótimo poder de marcação e se destaca entre os africanos. É o termômetro do time; se ele for anulado, a criação sul-africana é dificultada.
Convocação
Até o momento, o técnico da África do Sul, Hugo Broos, anunciou uma pré-lista com 32 jogadores para a Copa do Mundo. Entre os principais nomes da convocação estão o inspirador capitão e goleiro Ronwen Williams, o dinâmico meio-campista Teboho Mokoena e o atacante Lyle Foster.
Goleiros
Ronwen Williams, Ricardo Goss, Sipho Chaine, Brandon Peterson
Defensores
Khuliso Mudau, Olwethu Makhanya, Bradley Cross, Thabiso Monyane, Thabang Matuludi, Nkosinathi Sibisi, Aubrey Modiba, Khulumani Ndamane, Ime Okon, Samukele Kabini e Mbekezeli Mbokazi
Meio-campistas
Teboho Mokoena, Jayden Adams, Brooklyn Poggenpoel, Lebohang Maboe, Thalente Mbatha e Sphephelo Sithole
Atacantes
Oswin Appollis, Tshepang Moremi, Evidence Makgopa, Lyle Foster, Iqraam Rayners, Relebohile Mofokeng, Themba Zwane, Patrick Maswanganyi, Kamogelo Sebelebele e Thapelo Morena.
Coreia do Sul: será que a Coreia ainda é a mesma?
Foto: Redes Sociais/@theKFA
O Caminho até a Copa
Nas Eliminatórias Asiáticas, a Coreia do Sul confirmou seu status de gigante continental sem sustos substanciais. Avançando com facilidade nas fases iniciais, os guerreiros Taeguk dominaram a fase final de grupos. Com consistência e sem perder nas eliminatórias, a seleção sul-coreana carimbou sua 11ª participação consecutiva em Copas do Mundo de forma antecipada, mostrando que a renovação de safra após o ciclo de 2022 tem sido um sucesso.
O que Esperar?
Se existe uma palavra para definir a Coreia do Sul, essa palavra é intensidade. É uma equipe que tem por característica a velocidade e a transição rápida, utilizando muito bem as inversões de jogadas e os passes em profundidade para explorar a velocidade de seus pontas. Espera-se uma Coreia do Sul mais madura e acostumada com a disputa da Copa do Mundo. É, sem dúvidas, uma das favoritas para avançar no grupo.
O Craque
Son Heung-min (Atacante): Mesmo sendo o veterano e líder incontestável da equipe, a estrela continua sendo a grande referência técnica, o capitão e a alma da Coreia do Sul. Esta Copa tem um tom de "última dança" para o craque asiático, o que aumenta sua motivação.
Convocação
O técnico Hong Myungbo escolheu um elenco com nomes experientes, incluindo o recordista de jogos e gols pela seleção, Son Heungmin e o zagueiro Kim Minjae do Bayern de Munique.
Confira a lista:
Goleiros
Song Bumkeun (Jeonbuk), Jo Hyeonwoo (Ulsan) e Kim Seung-gyu (FC Tokyo).
Defensores
Jens Castrop (Borussia Monchengladbach), Lee Hanbeom (Midtjylland), Park Jinseob (Zhejiang FC), Lee Kihyuk (Gangwon), Kim Minjae (Bayern Munich), Kim Moonhwan (Daejeon), Kim Taehyeon (Kashima Antlers), Lee Taeseok (Austria Wien), Seol Youngwoo (Crvena Zvezda) e Cho Yumin (Sharjah).
Meio-campistas
Lee Donggyeong (Ulsan), Hwang Heechan (Wolves), Yang Hyunjun (Celtic), Hwang Inbeom (Feyenoord), Lee Jaesung (FSV Mainz), Kim Jingyu (Jeonbuk), Eom Jisung (Swansea), Bae Junho (Stoke), Lee Kangin (PSG) e Paik Seungho (Birmingham).
Atacantes
Cho Guesung (Midtjylland), Son Heungmin (LAFC) e Oh Hyeongyu (Besiktas).
Tchéquia: A solidez e o pragmatismo europeu
Foto: Redes Sociais/@ceskarepre_eng
O Caminho até a Copa
A caminhada da Tchéquia nas Eliminatórias Europeias (UEFA) foi marcada pelo pragmatismo e pelo sofrimento característicos em uma eliminatória difícil. Em um grupo com a Croácia dominante, os tchecos tiveram sustos com a surpresa Ilhas Faroe, que lutou pela vaga na repescagem até o final. Na repescagem, duas classificações nos pênaltis para garantir vaga na copa: primeiro contra a Irlanda após sair perdendo por 2 a 0 e buscar o empate. E na sequência, contra a forte Dinamarca, que garantiu o retorno da República Tcheca a Copa, o que não acontecia desde 2006 na Alemanha.
O que Esperar?
A Tchéquia pratica o legítimo futebol europeu moderno: time forte fisicamente, com preenchimento de espaço no meio campo e uma grande força defensiva. O que se pode esperar da equipe é um futebol sem floreios, extremamente objetivo e focado em punir os erros do adversário por meio de transições em bloco.
O Craque
Patrik Schick (Atacante): O homem-gol e a grande grife internacional da seleção tcheca. Schick é um centroavante refinado, com uma qualidade técnica rara com a perna esquerda. Ele é a peça que transforma o esquema tático pragmático da Tchéquia em uma ameaça real de gols.
Convocação
A lista provisória de 29 nomes de Miroslav Koubek tem três novidades: o meio-campista Hugo Sochurek, de 17 anos, do Sparta Praga; o meia Alexandr Sojka, do Viktoria Plzen; e o atacante Christophe Kabongo, do Mlada Boleslav. A experiência fica por conta de um trio que atua na elite do futebol europeu. O meio-campista Pavel Sulc, do Lyon, o atacante Patrik Schick, do Bayer Leverkusen, e o volante Tomas Soucek, do West Ham, serão importantes para a seleção tcheca.
Confira os convocados
Goleiros
Lukas Hornicek, Matej Kovar e Jindrich Stanrk.
Defensores
Vladimir Coufal, David Doudera, Tomas Holes, Robin Hranac, Stepan Chaloupek, David Jurasek, Ladislav Krejci, Jaroslav Zeleny e David Zima.
Meio-campistas
Pavel Bucha, Lukas Cerv, Vladimir Darida, Tomas Ladra, Lukas Provod, Michal Sadilek, Hugo Sochurek, Alexandr Sojka, Tomas Soucek, Pavel Sulc e Denis Visinsky.
Atacantes
Adam Hlozek, Tomas Chory, Mojmir Chytil, Christophe Kabongo, Jan Kuchta e Patrik Schick
Palpite da Redação: Classificam-se México e Coréia do Sul. Devido ao equilíbrio do grupo, a Tchéquia pode ser uma das classificadas entre os melhores terceiros colocados. África do Sul fica de fora.
