Condenado por golpe de R$ 20 milhões contra agricultores no Paraná deixa a prisão e vai para casa
Celso Antônio Fruet, condenado por 124 estelionatos que lesaram mais de 100 produtores rurais, recebeu autorização da Justiça para cumprir pena em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica
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A decisão que colocou em prisão domiciliar o empresário Celso Antônio Fruet, de 72 anos, voltou a provocar revolta entre agricultores do Oeste do Paraná que aguardam a recuperação de prejuízos milionários causados por um dos maiores casos de estelionato já registrados no setor agrícola da região.
Condenado a mais de 16 anos de prisão por 124 crimes de estelionato, Fruet deixou o sistema prisional no último sábado (13) após autorização da Justiça para cumprir a pena em regime domiciliar integral, monitorado por tornozeleira eletrônica. O Tribunal de Justiça considerou a idade avançada do empresário, problemas de saúde e o fato de os crimes não envolverem violência ou grave ameaça.
O empresário havia sido preso pela Polícia Civil em Francisco Beltrão, após permanecer cerca de quatro meses foragido. A captura ocorreu depois de uma intensa procura das autoridades, que investigavam o desaparecimento de mais de R$ 20 milhões pertencentes a agricultores da região de Campo Bonito.
Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), Fruet é responsável por um esquema que causou prejuízo estimado em R$ 20,3 milhões a mais de 120 produtores rurais. A Promotoria atribui ao empresário 124 crimes de estelionato, sendo 38 deles praticados contra idosos.
De acordo com as investigações, Fruet construiu ao longo de aproximadamente 30 anos uma sólida relação de confiança com agricultores da região por meio da cerealista que administrava em Campo Bonito. O modelo de negócio consistia no armazenamento de grãos de soja, milho e trigo pertencentes aos produtores, que posteriormente autorizavam a venda da produção e recebiam os valores correspondentes.
O problema começou a ser descoberto após a venda da cerealista. Conforme a denúncia, em 6 de junho de 2025, Fruet negociou a empresa com uma cooperativa da região, mas não comunicou a transação aos agricultores que ainda possuíam grãos armazenados nos silos.
Mesmo após a venda do empreendimento, ele continuou realizando negociações normalmente, recebendo cargas de produtores rurais e prometendo pagamentos que nunca foram efetuados. Segundo o Ministério Público, o empresário utilizava a credibilidade construída durante décadas para convencer agricultores a continuar entregando suas produções.
As investigações apontam ainda que Fruet oferecia valores acima dos praticados pelo mercado para atrair mais negócios. Enquanto a saca de soja era comercializada por cerca de R$ 100, ele chegava a oferecer entre R$ 104 e R$ 105, ampliando o volume de grãos recebidos pela empresa.
A fraude veio à tona em 21 de julho de 2025. Na data, produtores rurais procuraram a cerealista e encontraram o local completamente vazio. Os silos estavam sem grãos, não havia funcionários trabalhando, equipamentos administrativos haviam desaparecido e os agricultores descobriram que a empresa já havia sido transferida para novos proprietários.
"A denúncia abrange 124 crimes de estelionato, sendo 38 contra idosos. As vítimas descobriram o golpe após verificar que a cerealista havia sido vendida e que os grãos não estavam mais no local. Os prejuízos ultrapassam R$ 20 milhões", afirmou à época a promotora de Justiça Ana Carolina Lacerda Schneider.
O Ministério Público sustenta que Fruet obteve enriquecimento ilícito de aproximadamente R$ 20,3 milhões com o esquema. Além da condenação criminal, o órgão requereu medidas cautelares para garantir eventual reparação dos danos causados às vítimas e também pede a fixação de indenização mínima aos produtores prejudicados.
As investigações revelaram ainda que o empresário já havia sido alvo de apurações por supostas fraudes semelhantes em outros municípios paranaenses, como Capanema, Catanduvas e Virmond. Parte desses casos, porém, não avançou devido à prescrição.
Outro ponto destacado pelo Ministério Público é que a atual proprietária da estrutura física da antiga cerealista, a Copacol, não possui qualquer relação com os fatos investigados. A cooperativa adquiriu apenas o imóvel localizado às margens da PR-474, em Campo Bonito, e não responde por débitos ou atividades da gestão anterior.
A prisão de Fruet ocorreu após meses de buscas. Durante o período em que esteve foragido, o Ministério Público chegou a apontar gastos elevados com lazer, viagens e procedimentos estéticos, situação que aumentou a indignação das vítimas.
Agora, mesmo condenado a mais de 16 anos de prisão por um esquema que deixou dezenas de famílias em situação financeira delicada, o empresário cumprirá a pena em sua residência, sob monitoramento eletrônico. Enquanto isso, os agricultores seguem na expectativa de recuperar ao menos parte dos mais de R$ 20 milhões perdidos no golpe que abalou o setor produtivo de Campo Bonito e região.
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