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Dinheiro esquecido: BC aponta que R$ 10,3 bilhões seguem disponíveis; veja Créditos: © José Cruz/Agência Brasil

Dinheiro esquecido: BC aponta que R$ 10,3 bilhões seguem disponíveis; veja

Banco Central revela que mais de 50 milhões de pessoas e empresas ainda não resgataram saldos; parte do montante foi transferida para o fundo do Desenrola 2.0

Os brasileiros retiraram R$ 482,8 milhões em recursos esquecidos no sistema financeiro apenas no mês de abril, segundo dados divulgados nesta terça-feira (9) pelo Banco Central (BC). Desde a criação do Sistema de Valores a Receber (SVR), já foram devolvidos cerca de R$ 15 bilhões a pessoas físicas e empresas.

Apesar do volume já resgatado, ainda existem bilhões de reais aguardando retirada. Até abril, o montante disponível para saque chegava a R$ 10,3 bilhões.

Parte desse valor, porém, foi transferida recentemente pelo governo federal para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), que será utilizado no programa Desenrola Brasil 2.0. De acordo com o Ministério da Fazenda, cerca de R$ 5,7 bilhões já foram destinados ao fundo.

Valores ainda poderão ser recuperados

Mesmo após a transferência, os recursos continuam pertencendo aos titulares e poderão ser reivindicados.

O governo deve publicar um edital de chamamento público para regulamentar o procedimento de solicitação dos valores transferidos ao FGO.

Após a publicação, cidadãos e empresas terão prazo de 30 dias para solicitar a devolução dos recursos. Caso não haja manifestação dentro desse período, o dinheiro será incorporado definitivamente ao fundo utilizado para renegociação de dívidas.

Como consultar se há dinheiro esquecido

O Sistema de Valores a Receber permite que qualquer pessoa consulte gratuitamente se possui recursos esquecidos em bancos, cooperativas de crédito, consórcios, corretoras ou outras instituições financeiras.

A consulta inicial pode ser feita apenas com o CPF e a data de nascimento da pessoa física ou com o CNPJ e a data de abertura da empresa.

Se houver valores disponíveis, será necessário acessar o sistema com uma conta Gov.br nos níveis prata ou ouro e com a verificação em duas etapas ativada.

Dentro da plataforma, o usuário consegue verificar o valor disponível, a origem dos recursos e qual instituição financeira é responsável pela devolução.

Formas de resgate

O Banco Central disponibiliza três maneiras para receber os recursos.

A primeira é entrar em contato diretamente com a instituição financeira responsável pelo valor.

A segunda é realizar a solicitação pelo próprio Sistema de Valores a Receber.

Já a terceira opção é a adesão ao resgate automático, modalidade que permite o depósito direto na conta do cidadão sempre que novos valores forem identificados em seu nome.

Essa funcionalidade está disponível apenas para pessoas físicas que possuam chave Pix vinculada ao CPF.

De onde vêm os valores esquecidos

Os recursos disponíveis no sistema têm diversas origens. Entre elas estão:

  • - contas-correntes ou poupanças encerradas com saldo disponível;
    - tarifas bancárias cobradas indevidamente;
    - parcelas ou encargos de operações de crédito cobrados de forma incorreta;
    - recursos não resgatados de consórcios encerrados;
    - cotas de cooperativas de crédito;
    - contas de pagamento encerradas;
    - contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras;
    - outros valores que instituições financeiras precisam devolver aos clientes.
    - Mais de 50 milhões ainda não sacaram os recursos

Segundo o Banco Central, até o fim de abril, 41,4 milhões de beneficiários já haviam resgatado valores esquecidos. Desse total, 36,9 milhões são pessoas físicas e 4,5 milhões são empresas.

Por outro lado, mais de 50,3 milhões de beneficiários ainda não retiraram os recursos disponíveis. Entre eles estão 45,3 milhões de pessoas físicas e cerca de 5 milhões de pessoas jurídicas.

A maioria dos valores é relativamente baixa. Cerca de 64,5% dos beneficiários têm até R$ 10 para receber. Outros 23,4% possuem quantias entre R$ 10 e R$ 100.

Os valores entre R$ 100 e R$ 1 mil representam 9,9% dos casos. Apenas 2,1% dos beneficiários têm mais de R$ 1 mil disponíveis para saque.

Banco Central alerta para golpes

O Banco Central reforça que todos os serviços relacionados ao Sistema de Valores a Receber são gratuitos.

A instituição alerta que não envia links por e-mail, mensagem ou aplicativos e não entra em contato para solicitar dados pessoais, senhas ou pagamentos.

Também não existe qualquer pessoa autorizada a intermediar resgates em nome do BC.

A orientação é que os cidadãos façam consultas apenas pelos canais oficiais e desconfiem de mensagens que prometam liberar valores mediante pagamento de taxas ou compartilhamento de informações bancárias.

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