Carnaval 2026: Grupo Especial do Rio de Janeiro começa neste domingo com quatro escolas na Sapucaí
As apresentações acontecem na Marquês de Sapucaí a partir das 21h45, com quatro escolas por noite
Por Bruno Rodrigo
Créditos: Eduardo Hollanda/Liesa
Começam neste domingo (15) os desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro. As apresentações acontecem na Marquês de Sapucaí a partir das 21h45, com quatro escolas por noite, ao longo de três dias: domingo, segunda e terça-feira.
A apuração será realizada na quarta-feira, às 16h. Tanto os desfiles quanto a leitura das notas terão transmissão da Globo.
Confira as escolas e enredos da primeira noite:
Foto: Eduardo Hollanda/Liesa
1ª — Acadêmicos de Niterói
Enredo: Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil
Estreante no Grupo Especial, a agremiação chega à elite tentando quebrar um tabu recente: desde 2022 nenhuma escola promovida da Série Ouro conseguiu permanecer no grupo principal. A aposta para marcar presença é um enredo biográfico e político, narrando a trajetória do presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva.
O desfile começa no sertão pernambucano, com a infância humilde e a simbologia do mulungu, árvore associada às brincadeiras do futuro presidente, e segue pela migração para o Sudeste. A narrativa passa pelo trabalho nas fábricas do ABC paulista, pela formação da consciência sindical, pelas greves históricas e pela construção de uma liderança popular até chegar à eleição presidencial.
A proposta dos autores Tiago Martins e Igor Ricardo é apresentar não apenas o personagem político, mas também o Brasil social que surge ao redor dele, retratando trabalhadores, movimentos populares e transformações do país ao longo das décadas.
Foto: Eduardo Hollanda/Liesa
2ª — Imperatriz Leopoldinense
Enredo: Camaleônico
Terceira colocada em 2025 e campeã em 2023, a escola de Ramos aposta em um desfile artístico para buscar seu décimo título. O homenageado é Ney Matogrosso, cuja carreira é marcada por constante reinvenção estética e musical.
O carnavalesco Leandro Vieira pretende transformar a avenida em um grande palco performático, explorando as várias fases do artista: o surgimento com o grupo Secos & Molhados, o impacto visual das maquiagens e figurinos, a quebra de padrões de gênero e comportamento, além da consolidação como intérprete sofisticado da música brasileira.
A narrativa trabalha a ideia do “camaleão”, alguém que muda de forma sem perder essência, para abordar também a liberdade artística e a diversidade cultural brasileira, conectando a obra do cantor com transformações sociais e comportamentais no país.
Foto: Eduardo Hollanda/Liesa
3ª — Portela
Enredo: O Mistério do Príncipe do Bará - A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande
Maior campeã do carnaval carioca, a azul e branca aposta em um enredo histórico-religioso sobre Custódio Joaquim de Almeida, figura africana ligada à formação do batuque no Rio Grande do Sul no século XIX.
O desfile pretende apresentar a diáspora africana para além dos eixos mais conhecidos, mostrando como tradições religiosas se estabeleceram no sul do Brasil. A narrativa passa pela chegada do personagem ao país, pela sua atuação espiritual e pela formação de comunidades religiosas afro-gaúchas.
A escola também propõe uma leitura simbólica de resistência cultural: a “coroa” do príncipe representa a permanência da ancestralidade africana mesmo após a escravidão, conectando fé, memória e identidade.
Foto: Eduardo Hollanda/Liesa
4ª — Estação Primeira de Mangueira
Enredo: Mestre Sacaca do Encanto Tucuju — O Guardião da Amazônia Negra
Buscando encerrar o jejum de títulos desde 2019, a verde e rosa aposta em um enredo que mistura cultura afro-indígena e saberes populares amazônicos, homenageando Mestre Sacaca.
O desfile deve apresentar o personagem como símbolo de cura, espiritualidade e conhecimento tradicional, guiando a narrativa pela Amazônia do ponto de vista das populações locais. A proposta inclui ervas medicinais, rituais, encantarias e a relação entre natureza e ancestralidade.
A escola pretende valorizar uma Amazônia cultural e humana, destacando práticas religiosas e sociais que formam o chamado “encanto tucuju”, expressão associada à identidade do povo do Amapá.
