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Câmara aprova projeto que restringe multas ambientais com base em imagens de satélite

Atualmente, imagens de satélite são amplamente utilizadas por órgãos ambientais para identificar alterações na cobertura vegetal

Câmara aprova projeto que restringe multas ambientais com base em imagens de satélite Créditos: Sistema FAEP

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (21) um projeto de lei que muda as regras para aplicação de embargos e sanções ambientais em áreas identificadas com possíveis danos à vegetação por meio de imagens de satélite.

A proposta determina que produtores rurais e administradores das áreas sejam previamente notificados para apresentar defesa antes da imposição de medidas administrativas cautelares. Enquanto representantes do agronegócio afirmam que o texto garante segurança jurídica e direito ao contraditório, ambientalistas criticam a medida e apontam risco de enfraquecimento da fiscalização, especialmente em regiões remotas da Amazônia.

O Projeto de Lei 2.564/2025 foi aprovado em meio às comemorações do chamado “Dia do Agro” e agora segue para análise do Senado Federal. O texto tem apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e do Sistema FAEP, entidade que representa produtores rurais do Paraná.

Atualmente, imagens de satélite são amplamente utilizadas por órgãos ambientais para identificar alterações na cobertura vegetal e aplicar medidas imediatas em casos suspeitos de desmatamento. Segundo ambientalistas, cerca de 90% da Amazônia é monitorada remotamente, justamente por envolver áreas de difícil acesso.

Pela proposta aprovada, os órgãos de fiscalização continuam autorizados a utilizar o monitoramento remoto para detectar indícios de infração ambiental. No entanto, antes da aplicação de embargos ou outras medidas cautelares, será obrigatória a notificação do responsável pela área, assegurando prazo para apresentação de esclarecimentos e documentos.

O texto também determina que medidas administrativas não poderão funcionar como antecipação de punições previstas na Lei de Crimes Ambientais.

Debate sobre fiscalização

O principal ponto de divergência gira em torno da necessidade de ação imediata diante de suspeitas de desmatamento. Ambientalistas afirmam que a exigência de notificação prévia pode abrir espaço para continuidade da derrubada da vegetação ou até para evasão dos responsáveis antes da atuação dos órgãos ambientais.

Líder do Psol na Câmara, o deputado Tarcísio Motta criticou a proposta e afirmou que o projeto cria obstáculos ao trabalho de fiscalização.

“Este projeto fragiliza os mecanismos de fiscalização ambiental e impede que determinadas medidas cautelares, que são preventivas, aconteçam na urgência e na intensidade necessárias”, afirmou.

A deputada Fernanda Melchionna também se posicionou contra a proposta e defendeu respostas imediatas em casos de desmatamento.

“Imagina vocês enfraquecendo os órgãos de monitoramento e fiscalização ambiental, criando dificuldades como a exigência de notificação”, declarou.

Outro ponto alvo de críticas é a ausência de definição objetiva sobre o prazo para aplicação das sanções após a notificação do produtor. Ambientalistas afirmam que a falta de clareza pode dificultar ainda mais a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental.

Ruralistas defendem “direito de defesa”

Autor do projeto, o deputado Lúcio Mosquini afirmou que a proposta não impede a fiscalização ambiental, mas busca garantir o direito de defesa ao produtor rural.

“Nós queremos que o satélite continue fiscalizando, sim. Antes, porém, que dê o direito de defesa ao produtor rural”, declarou.

Segundo Mosquini, o sistema atual gera situações em que produtores acabam penalizados antes mesmo de apresentarem explicações ou documentos sobre possíveis autorizações ambientais.

A relatora da proposta, deputada Marussa Boldrin, sustentou que o texto fortalece a segurança jurídica e evita prejuízos indevidos.

“O projeto evitará prejuízos injustos aos autuados e fortalecerá a governança ambiental”, afirmou.

O apoio ao projeto também veio do Sistema FAEP. A entidade argumenta que ferramentas de monitoramento remoto, como o Prodes, podem gerar “falsos positivos” e erros na identificação de áreas desmatadas.

Presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette afirmou que punições antecipadas podem afetar diretamente o acesso ao crédito rural e causar impactos econômicos ao produtor.

“O proprietário rural deve ter o direito de apresentar esclarecimentos antes de receber punição que, muitas vezes, é indevida”, disse.

Segundo a entidade, o sistema de monitoramento pode confundir atividades autorizadas, limpeza de áreas ou troca de cultura agrícola com supressão irregular de vegetação.

Próximos passos

Após aprovação na Câmara, o projeto segue agora para análise do Senado. Caso seja aprovado sem alterações, o texto será encaminhado para sanção presidencial.

A proposta amplia o debate entre preservação ambiental e garantias processuais no campo, em um momento em que o monitoramento remoto se consolidou como principal ferramenta de fiscalização em biomas como a Amazônia.

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