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Brasil chama tarifa dos EUA de "injusta" e tenta evitar taxa de Trump sobre produtos brasileiros

Governo Lula voltou a negociar com os Estados Unidos antes da decisão sobre tarifas de até 37,5% e afirma que sobretaxas não têm fundamento técnico

Brasil chama tarifa dos EUA de Créditos: Claudio Neves/Portos do Paraná

O governo brasileiro voltou a defender que a possível aplicação de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais é "injusta" e reiterou que pretende manter as negociações para tentar evitar a medida. A posição foi apresentada durante reunião realizada nesta terça-feira (14) com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, um dia antes do prazo final para a decisão da administração do presidente Donald Trump.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), este foi o quinto encontro entre autoridades dos dois países desde 7 de maio, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump concordaram em criar um grupo de trabalho para discutir temas ligados ao comércio bilateral.

Em nota, o governo brasileiro afirmou que voltou a contestar as conclusões da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), argumentando que as recomendações não possuem fundamento técnico para justificar novas barreiras comerciais.

A crítica envolve tanto a proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros quanto a cobrança extra de 12,5% relacionada à investigação sobre trabalho forçado, medida que também poderá atingir exportações de outros 59 países.

"O governo brasileiro reiterou que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos formular um acordo bilateral mutuamente adequado", informou o Mdic.

Além do Ministério do Desenvolvimento, participaram da reunião representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial da Presidência da República.

De acordo com o governo, a orientação do presidente Lula é manter o diálogo diplomático com Washington e buscar uma solução negociada antes da decisão final da Casa Branca.

Nos bastidores, integrantes da equipe econômica avaliam que as conversas registraram avanços nos primeiros meses, mas reconhecem que a posição do governo norte-americano ficou mais rígida nas últimas semanas.

A investigação conduzida pelo USTR foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O governo americano acusa o Brasil de adotar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país em áreas como comércio digital, sistema de pagamentos eletrônicos, incluindo o Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais relacionadas ao combate ao desmatamento ilegal.

O governo brasileiro contesta todas as alegações e sustenta que nenhuma delas justifica a adoção de novas tarifas.

A decisão dos Estados Unidos deve ser anunciada nesta quarta-feira (15), quando também será divulgada a lista definitiva dos produtos que poderão ser atingidos pelas sobretaxas. Entre os itens citados nas recomendações preliminares estão aeronaves, produtos agropecuários e insumos industriais.

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que cerca de 4,2 mil produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos poderão ser afetados caso as tarifas sejam confirmadas. Juntas, essas mercadorias representam aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações, incluindo produtos como ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico.

Enquanto aguarda o anúncio da decisão norte-americana, o governo brasileiro afirma que continuará priorizando a negociação diplomática, mas não descarta adotar medidas de resposta caso as novas tarifas entrem em vigor.

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