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Audiência pública debate sucessão rural e fortalecimento das Casas Familiares Rurais no Paraná

Encontro na Assembleia Legislativa definiu criação de grupo de trabalho para discutir políticas públicas voltadas à juventude do campo e à agricultura familiar.

Por Eliane Alexandrino

Audiência pública debate sucessão rural e fortalecimento das Casas Familiares Rurais no Paraná Créditos: Divulgação

A Assembleia Legislativa do Paraná promoveu nesta quarta-feira (20) uma audiência pública para discutir a sucessão rural e o papel das Casas Familiares Rurais na formação de jovens agricultores no Estado. O debate foi proposto pelo deputado estadual Professor Lemos e reuniu representantes de entidades do setor agrícola, educadores, estudantes, agricultores familiares e integrantes do poder público.

A principal definição do encontro foi a criação de um grupo de trabalho voltado ao acompanhamento e formulação de políticas públicas para fortalecer as Casas Familiares Rurais e incentivar a permanência dos jovens no campo.

Segundo o deputado Professor Lemos, o objetivo da audiência foi ampliar o debate sobre a chamada pedagogia da alternância, modelo educacional utilizado nas Casas Familiares Rurais que combina formação teórica e prática no meio rural.

Nesse sistema, os estudantes permanecem durante uma semana em regime de internato nas unidades escolares e, em seguida, retornam às propriedades das famílias, onde aplicam os conhecimentos adquiridos com acompanhamento de professores e monitores.

Atualmente, o Paraná possui 16 Casas Familiares Rurais em funcionamento. Segundo entidades ligadas ao setor, esse número já foi de 44 unidades no Estado.

O presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Paraná, Alexandre Leal dos Santos, afirmou que o modelo é essencial para preparar jovens agricultores e estimular a sucessão familiar nas propriedades rurais.

Ele destacou ainda a importância da divulgação de políticas públicas voltadas à juventude rural, como linhas especiais do Pronaf e programas de crédito fundiário.

Durante a audiência, representantes das Casas Familiares também apresentaram reivindicações relacionadas à atualização dos cursos técnicos oferecidos atualmente.

O coordenador estadual da Federação das Casas Familiares Rurais do Paraná, Marco Geffer, defendeu mudanças na matriz curricular para ampliar conteúdos ligados à pecuária, zootecnia e criação de animais, áreas consideradas fundamentais para a agricultura familiar.

Segundo ele, a proposta não exigiria novos investimentos estruturais do Estado, já que as unidades e profissionais já existem. A alteração envolveria apenas adequações pedagógicas e curriculares.

A estudante Djenifer Schwingel, da Casa Familiar Rural de São Jorge D'Oeste, relatou que o modelo abriu novas oportunidades profissionais e reforçou seu interesse em seguir carreira na área veterinária sem precisar deixar o meio rural.

O presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, Richard Gonçalves, classificou as Casas Familiares Rurais como estratégicas para formar futuros gestores de propriedades agrícolas e afirmou que o Paraná possui mais de 250 mil estabelecimentos rurais que dependem de sucessão familiar qualificada.

Representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário, da Secretaria de Agricultura do Paraná, movimentos sociais, sindicatos e entidades ligadas à agricultura familiar também defenderam modernização das Casas Familiares e maior apoio institucional ao modelo.

A representante da União Nacional das Casas Familiares da França, Elizabeth Fries, lembrou que o modelo surgiu no país europeu em 1937 e hoje atende quase 100 mil alunos em mais de 430 unidades.

Segundo ela, o sucesso das Casas Familiares depende diretamente do apoio do Estado e da existência de políticas públicas permanentes voltadas à educação no campo.

As Casas Familiares Rurais oferecem ensino médio integrado à formação técnica agrícola e têm como objetivo reduzir o êxodo rural, qualificar jovens agricultores e fortalecer a agricultura familiar por meio da formação de lideranças e da aplicação de técnicas modernas de produção, gestão rural e sustentabilidade.

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