Arquidiocese de Cascavel instaura processo canônico contra padre investigado por abuso
Vaticano autoriza procedimento interno após indícios; caso corre em paralelo à Justiça comum
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A Arquidiocese de Cascavel instaurou um processo penal administrativo contra o padre Genivaldo Oliveira dos Santos, investigado por estupro de vulnerável. A abertura do procedimento foi autorizada pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, órgão do Vaticano responsável por analisar casos dessa natureza dentro da Igreja Católica.
Antes da decisão, o dicastério avaliou a investigação prévia encaminhada pela arquidiocese e concluiu que há indícios suficientes para o julgamento com base no Código de Direito Canônico. O procedimento segue regras próprias da Igreja e tramita de forma independente da Justiça comum.
Durante o processo, o religioso terá direito à defesa, com acompanhamento de advogado eclesiástico. A análise das provas será feita por uma comissão interna, formada por representantes da própria instituição, com possibilidade de recurso às instâncias superiores da Santa Sé.
Caso a culpa seja confirmada, o padre poderá sofrer sanções previstas na legislação canônica, que vão desde a suspensão das funções até a proibição de exercer o sacerdócio. Em situações mais graves, pode ocorrer a expulsão definitiva da Igreja.
Em nota oficial, a Arquidiocese de Cascavel informou que conduz o caso sob sigilo, com foco na apuração dos fatos, na proteção das possíveis vítimas e no cumprimento das normas da Igreja. A instituição também reafirmou o compromisso com a transparência e a responsabilidade no andamento do processo.
O religioso foi preso em 24 de agosto de 2025, acusado de cometer 21 crimes de abuso sexual contra crianças e duas mulheres. As vítimas têm idades entre 12 e 48 anos, e, segundo a denúncia, a maioria é do sexo masculino.
Ele permanece preso preventivamente no Complexo Médico Penal, em Curitiba, após transferência. A Justiça de Cascavel negou pedido da defesa para revogação da prisão, e um habeas corpus aguarda julgamento no Tribunal de Justiça do Paraná.
O Ministério Público também solicitou que todos os crimes sejam analisados em uma única comarca. O julgamento do recurso foi adiado e ainda não há nova data definida. Enquanto isso, a defesa afirma que novas provas podem influenciar o andamento do caso nas próximas semanas.
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