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PDT contesta suspeita de “rachadinha” em Maringá e afirma confiar no arquivamento de inquérito

Nota oficial sustenta que contribuições foram destinadas à conta do partido e nega repasses pessoais; Ministério Público abriu inquérito civil para apurar possíveis irregularidades envolvendo 3 gabinetes de vereadores

Repórter Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
PDT contesta suspeita de “rachadinha” em Maringá e afirma confiar no arquivamento de inquérito
— Crédito: Divulgação

O Diretório Municipal do Partido Democrático Trabalhista (PDT) de Maringá contestou as suspeitas de “rachadinha” envolvendo os vereadores Ana Lúcia Rodrigues, Lemuel Wilson Rodrigues e Italo Lourenço Maroneze. Em nota divulgada em 20 de outubro, a legenda afirmou que as contribuições financeiras mencionadas na denúncia foram depositadas diretamente na conta oficial do partido e manifestou confiança no arquivamento do inquérito civil instaurado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR).

A investigação foi determinada pelo promotor de Justiça Pedro Ivo Andrade, da 1ª Promotoria de Justiça de Maringá, responsável pela Defesa do Patrimônio Público. A decisão, assinada em 6 de outubro de 2026, inclui os 3 vereadores e o diretório municipal do PDT entre os investigados.

O procedimento busca esclarecer possíveis irregularidades relacionadas a contribuições financeiras de assessores parlamentares em favor da sigla. A abertura do inquérito não representa conclusão sobre a responsabilidade dos envolvidos.

Na manifestação pública, o PDT classificou o inquérito civil como uma etapa inicial de apuração e criticou o uso do termo “rachadinha” para descrever o caso. Segundo o partido, não houve repasse de valores para contas pessoais dos vereadores, de familiares ou de intermediários.

A legenda afirma que os recursos foram destinados à conta bancária oficial do PDT, identificado pelo CNPJ da agremiação. Também sustenta que as contribuições de ocupantes de cargos de confiança indicados pelo partido são legítimas e encontram respaldo na legislação partidária e nas normas internas.

Partido afirma ter devolvido valor
A nota informa ainda que, após identificar que um ex-assessor não havia concluído sua filiação partidária, a tesouraria do PDT teria providenciado o estorno e o recolhimento integral do valor ao Tesouro Nacional, por meio de Guia de Recolhimento da União (GRU).

Para o diretório, a medida demonstra transparência e ausência de prejuízo ao erário. Essas afirmações integram a versão apresentada pela legenda e deverão ser consideradas no esclarecimento dos fatos durante a investigação.

O partido também mencionou que uma Comissão Processante da Câmara Municipal de Maringá analisou anteriormente o caso durante 90 dias. Conforme a nota, a vereadora Professora Ana Lúcia foi absolvida pelo plenário por 20 votos a zero.

Denúncia aponta cobranças mensais
De acordo com a decisão do Ministério Público, a apuração começou após uma denúncia apresentada por Vinicius Emanuel Felice de Oliveira França, que trabalhou como assessor parlamentar no gabinete de Ana Lúcia Rodrigues.

O ex-servidor relatou que teria sofrido intimidações para destinar parte da remuneração ao PDT. Segundo a denúncia, as cobranças ocorreriam mensalmente, mesmo sem a conclusão de sua filiação partidária, e estariam relacionadas à manutenção do vínculo de trabalho no gabinete.

Na etapa preliminar, a Promotoria reuniu comprovantes de transferências bancárias, conversas por WhatsApp, uma gravação de áudio e registros de pagamentos via Pix ao partido.

O promotor também ouviu outras 3 pessoas. Conforme a avaliação registrada na decisão, os depoimentos indicaram a necessidade de aprofundar a apuração sobre possíveis irregularidades nos gabinetes dos vereadores Ana Lúcia Rodrigues, Lemuel Wilson Rodrigues e Italo Lourenço Maroneze.

A Câmara Municipal deverá fornecer informações sobre os servidores dos gabinetes de Lemuel e Italo entre 2025 e 2026, incluindo cargos, remunerações, vínculos funcionais e atos de nomeação e exoneração. O prazo estabelecido foi de 15 dias.

Outros pontos foram arquivados parcialmente
A decisão do MPPR também analisou alegações de assédio moral e de possível orientação para que o ex-assessor registrasse a frequência sem cumprir efetivamente a jornada de trabalho.
Esses dois pontos foram arquivados no âmbito da atuação da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. No caso da jornada, o documento registra que a proposta mencionada na denúncia não chegou a se concretizar, pois a exoneração ocorreu em 6 de maio de 2026.

O arquivamento parcial, entretanto, não abrange as suspeitas relacionadas às contribuições financeiras destinadas ao PDT, que continuam sob investigação no inquérito civil.

Ao final da nota, o diretório municipal reafirmou respeito ao Ministério Público e declarou estar à disposição para prestar esclarecimentos. A legenda manifestou confiança de que a análise das provas levará ao arquivamento do procedimento.

Até o momento, a decisão citada na reportagem determina o aprofundamento das apurações, sem apresentar conclusão definitiva sobre a existência de irregularidades ou a responsabilidade individual dos investigados.

Créditos: O Diário de Maringá 

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