Só médicos?

09/09/2026 16:58

O governo federal identificou 97 perfis que utilizavam inteligência artificial para simular médicos e outros profissionais de saúde no YouTube. Os falsos especialistas apresentavam qualificações fictícias e prometiam curas ou tratamentos sem comprovação científica. A AGU notificou a plataforma para a retirada ou sinalização dos conteúdos. Mas o alerta sobre credenciais não deveria parar na medicina. Na política, diploma e currículo também merecem lupa. Há agentes públicos e candidatos que exibem extensas formações acadêmicas, cursos e passagens por instituições de ensino. Quando surgem dúvidas, porém, a checagem deve ir além da biografia publicada pelo próprio interessado. Datas de ingresso e conclusão, modalidade do curso, instituição responsável, reconhecimento oficial e documentos que comprovem a formação são informações objetivamente verificáveis. Cronologias aparentemente apertadas ou a ausência de fotografias de formatura podem despertar curiosidade, mas, isoladamente, não provam que um curso seja inexistente ou que alguém tenha mentido sobre sua formação. Então fica a dica para o eleitor e também para a imprensa: se até médico de inteligência artificial ganhou jaleco e currículo na internet, não custa conferir os currículos de quem pede voto. E, quando alguma formação parecer extraordinária, procurar o registro é mais eficiente do que procurar a tradicional fotinho com o canudo.