Delação homologada

09/09/2026 16:56

O caso do Banco Master ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (9). O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, homologou o acordo de colaboração premiada firmado pela Procuradoria-Geral da República com Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, empresário apontado como operador financeiro ligado a Daniel Vorcaro. A homologação ocorre depois de Freixo confirmar, em audiência, que aderiu voluntariamente ao acordo. Em sua colaboração, ele detalhou movimentações realizadas pela Entre Investimentos e Participações e afirmou ter feito sete subscrições de cotas no Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, somando aproximadamente US$ 12,3 milhões. O fundo aparece nas investigações relacionadas ao financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O conteúdo vai além do filme. Segundo informações já reveladas sobre a delação, Freixo relatou movimentações de dinheiro vivo a mando de Vorcaro e afirmou que recursos eram entregues em malas. Também teria fornecido informações sobre supostos pagamentos de propina a políticos, cujas identidades permanecem sob sigilo. No capítulo Dark Horse, a investigação tenta esclarecer o caminho e, principalmente, o destino final do dinheiro. O fundo Havengate é administrado por Paulo Calixto, advogado apontado nas reportagens como próximo de Eduardo Bolsonaro. As autoridades investigam se todo o montante efetivamente foi destinado à produção cinematográfica. A homologação por Mendonça não significa que as declarações do colaborador estejam comprovadas. A colaboração premiada abre novas frentes de investigação e as informações precisam ser corroboradas por outras provas para eventual responsabilização. Mas transforma o relato de “Mineiro” em uma peça formal da investigação do caso Master — e coloca sob escrutínio um caminho milionário que passa por Vorcaro, estruturas financeiras no exterior e pelo projeto cinematográfico sobre Bolsonaro.