Doce e amargo
09/09/2026 16:53
Foi, sem dúvida, um dia de alívio para Deltan Dallagnol. O TRE-PR decidiu por 4 votos a 3 deferir o registro da candidatura do ex-procurador ao Senado. Dallagnol comemorou bastante nas redes sociais, classificou o resultado como uma vitória e chegou a dizer que a decisão seria “a favor do povo do Paraná”.
A comemoração, porém, ainda não encerra a novela. PT e PDT anunciaram que pretendem recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral. Os adversários lembram que, em 2022, Dallagnol também havia obtido decisão favorável no Paraná, posteriormente revertida pelo TSE. Desta vez, porém, o TRE entendeu que a decisão anterior não estabeleceu expressamente uma inelegibilidade que impeça a candidatura em 2026.
Em meio à agenda de comemorações e compromissos que se seguiram ao julgamento, há ainda outro detalhe que não pode desaparecer atrás dos confetes: Dallagnol saiu da mesma sessão com uma multa de R$ 100 mil por litigância de má-fé. A punição foi aplicada depois da juntada ao processo eleitoral de documentos contendo dados fiscais e bancários protegidos por sigilo relacionados ao ministro Cristiano Zanin. O presidente do TRE-PR, Luciano Carrasco Falavinha Souza, classificou a conduta como temerária e entendeu que ela atentou contra a dignidade da Justiça. A defesa de Dallagnol sustentou que os documentos foram apresentados integralmente para demonstrar sua elegibilidade e afirmou que não pretendia expor os dados.
Portanto, o saldo político desta quarta-feira trouxe uma vitória importante para Dallagnol: hoje ele está com o registro deferido e pode seguir candidato ao Senado. Mas a disputa jurídica ainda pode chegar ao TSE e os R$ 100 mil mostram que nem tudo no julgamento terminou em comemoração.