Depois da eleição

07/09/2026 15:45

O apresentador Ratinho voltou a falar de seu já famoso taco de beisebol. Em entrevista a Sérgio Mallandro, desta vez tomou o cuidado de não citar nomes, mas deixou o recado: depois das eleições, pretende procurar um desafeto e “quebrar os joelhos” dele com o taco. E fez questão de frisar o calendário: só depois da eleição. A cautela talvez tenha explicação. Recentemente, uma ameaça semelhante feita pelo apresentador ganhou repercussão nacional. Ratinho ameaçou o diretor da Gazeta do Paraná, jornalista Marcos Formighieri, afirmando que quebraria seus joelhos e que mantinha um taco de beisebol dentro do carro para atacá-lo caso o encontrasse. O episódio resultou no registro de boletim de ocorrência e em uma queixa-crime, que tramita na Justiça. Desta vez, portanto, não há nome. Só o taco, os joelhos e uma data: depois das eleições. Talvez porque ameaça de quebrar joelhos não seja exatamente um bom cabo eleitoral, sobretudo quando Ratinho entrou de corpo e alma na campanha de Sandro Alex, candidato apoiado por seu filho, o governador Ratinho Junior, para sucedê-lo no Palácio Iguaçu. Mas quem Ratinho pretende convencer? O eleitor deve entender que, enquanto houver campanha, ele e o grupo político que defende são civilizados e que o taco de beisebol só pode sair do carro depois que as urnas forem fechadas? A civilidade, então, teria prazo de validade eleitoral? A cena acaba funcionando como uma metáfora incômoda. Ratinho Junior também chegou ao governo embalado por um discurso que, em diferentes momentos de sua administração, foi confrontado por decisões e posturas que seus críticos consideraram distantes daquilo que havia sido apresentado ao eleitor. Agora, o pai anuncia, literalmente, que determinada conduta precisa esperar a eleição passar. De onde vem tamanho interesse do apresentador Ratinho no resultado das eleições do Paraná? Será apenas para satisfazer as vontades do filho, o “Juninho”? Ou existe algo mais por trás dessa urgência eleitoral, importante o suficiente para fazê-lo conter a própria ira e respeitar o calendário das urnas antes de voltar a falar em quebrar joelhos? E há uma pergunta ainda mais desconfortável: esse “depois das eleições” é apenas uma frase infeliz de Ratinho ou um símbolo involuntário de uma forma de fazer política? Primeiro mostra-se ao eleitor uma face moderada; conquistado o voto, aparece outra. Seria esse também um sinal do que o Paraná poderia esperar de Sandro Alex depois de eleito? Se da outra vez vieram boletim de ocorrência e queixa-crime, resta saber quem é o destinatário da ameaça agora. E, quando a eleição passar, será que vem mais uma por aí?