Rachadinha vira inquérito

28/08/2026 17:26

A suspeita de “rachadinha” envolvendo o vereador Dr. Lauri (MDB), de Cascavel, chegou formalmente ao Ministério Público do Paraná. O Diário Eletrônico do MPPR desta sexta-feira (28) publicou a instauração do Inquérito Civil nº MPPR-0030.26.002037-2, aberto para apurar possíveis atos de improbidade administrativa relacionados à suposta exigência de repasse de parte da remuneração de servidores comissionados e à utilização de um assessor parlamentar para serviços particulares durante o expediente. A publicação acrescenta um novo capítulo a um caso acompanhado pela Gazeta do Paraná desde julho. Naquele mês, os vereadores Fão do Bolsonaro (PL) e Policial Madril (PP) revelaram ao GCast que haviam comunicado ao Gaeco e à Divisão Estadual de Combate à Corrupção informações sobre a suspeita de utilização de um servidor do gabinete de Lauri em uma obra particular. Na mesma entrevista, Fão revelou que novas denúncias envolvendo possível “rachadinha” haviam chegado ao gabinete, mas afirmou que o material ainda estava sendo documentado e não seria divulgado naquele momento por orientação jurídica. Agora, o próprio MPPR registra a “suposta exigência de repasse de parte da remuneração (‘rachadinha’) de servidores comissionados” entre os fatos que serão apurados. O inquérito também cita nominalmente o assessor Cleverson de Oliveira Farias e investiga a suspeita de que ele tenha realizado serviços particulares durante o horário de expediente. Segundo o registro do Ministério Público, os fatos investigados teriam ocorrido em 2025 e 2026. O caso também tramita na esfera político-disciplinar. A Mesa Diretora da Câmara admitiu por unanimidade a representação contra Lauri, e a Comissão de Ética escolheu Cidão da Telepar (Podemos) como relator. O assessor citado na denúncia foi exonerado em julho. Dr. Lauri já afirmou à Gazeta que apresentará defesa técnica e que se manifestará sobre as acusações após analisar os documentos com seus advogados. A abertura do Inquérito Civil não representa conclusão sobre a responsabilidade do vereador. O procedimento permitirá ao Ministério Público aprofundar a apuração dos fatos e decidir, posteriormente, pelas medidas que considerar cabíveis ou pelo arquivamento caso não sejam encontrados elementos suficientes.