O padrinho dos agrícolas?
17/08/2026 16:30
Tem uma curiosidade circulando pelos corredores dos colégios agrícolas do Paraná: afinal, de onde vem tamanha dedicação do deputado Hussein Bakri ao setor? Entre pessoas ligadas a essas instituições, não é difícil ouvir uma espécie de máxima: quando o assunto é colégio agrícola, “quem manda é o Bakri”. E a influência atribuída ao parlamentar, segundo esses relatos, atravessaria inclusive as fronteiras de sua área de influência política mais tradicional, alcançando unidades instaladas em municípios onde, em tese, outros deputados dão as cartas.
Nesta segunda-feira (17), mais um capítulo chamou atenção. Bakri, que relatou na CCJ o projeto que libera alunos a partir de 16 anos para atividades supervisionadas com máquinas agrícolas, fez questão de defender a proposta no plenário e pedir votos à base. Ao explicar o texto, ressaltou inclusive que as atividades dos estudantes “não podem ter fim lucrativo”. Depois, durante a votação, convocou os colegas governistas ao voto favorável.
Nada disso significa, evidentemente, qualquer irregularidade. Deputado pode (e deve) defender setores da educação. Mas a dedicação desperta curiosidade quando se olha para outra característica dessas escolas: algumas administram produção agropecuária e receitas consideráveis por meio das cooperativas-escola. Há unidade no Paraná com receita anual divulgada pelo próprio governo na casa dos milhões.
Daí a pergunta marota que não quer calar: o que explica tamanho zelo de Bakri pelos colégios agrícolas? Vocação educacional? Afinidade histórica com o agronegócio? Construção de base política? Ou o fato de essas instituições terem se transformado também em estruturas economicamente relevantes?
Por enquanto, são perguntas. Mas, diante de tanta dedicação, talvez valha a pena acompanhar mais de perto quem planta, quem colhe e, sobretudo, quem cuida da porteira.