Sobrenome eleitoral
12/08/2026 16:52
Se tem uma coisa que não falta nesta eleição é candidato querendo pegar carona em sobrenome conhecido. Segundo levantamento divulgado pelo Metrópoles, 17 pessoas registraram candidaturas para as eleições de 2026 utilizando “Bolsonaro” no nome de urna, mesmo sem o sobrenome constar no registro civil.
A estratégia, porém, começou a encontrar resistência do Ministério Público Eleitoral. Em São Paulo, a Procuradoria Regional Eleitoral pediu nesta terça-feira (11) a impugnação do nome de urna de Bruno Scheid, candidato ao Senado que se registrou como “Bruno Bolsonaro Scheid”, embora não tenha parentesco com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o MPE, o candidato teria construído artificialmente o sobrenome durante a pré-campanha com o objetivo de obter proveito eleitoral. Para o órgão, o uso pode gerar desinformação e induzir o eleitor a acreditar em uma relação familiar inexistente.
Não é caso isolado. O Ministério Público Eleitoral também pediu o indeferimento do nome de urna “Fabiana Bolsonaro”, utilizado pela deputada estadual Fabiana Barroso. Ela já havia tentado concorrer com o mesmo nome em 2022, mas o Tribunal Regional Eleitoral rejeitou a escolha por unanimidade. Naquele pleito, acabou aparecendo nas urnas como “Fabiana B”.
Em uma eleição na qual sobrenomes carregam votos, rejeição e identidade política, parece que até o nome virou território de disputa. Para a Justiça Eleitoral, porém, uma coisa é identificação política. Outra, bem diferente, é tentar fazer o eleitor acreditar que entrou para a família.