Conversa de compadres

10/08/2026 13:57

Quem esperava que o primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Paraná colocasse frente a frente, com profundidade, duas visões distintas para o Estado terminou a noite com a sensação de que faltou debate. Sandro Alex e Requião Filho divergiram sobre Copel, educação, segurança, impostos e infraestrutura, trocaram algumas provocações, mas o confronto esteve longe da intensidade política que o momento e os temas exigiam. A própria cobertura da Band registrou as divergências e algumas “farpas”, mas o encontro permaneceu concentrado nas posições já conhecidas dos candidatos. E não se trata de defender baixaria, ataques pessoais ou falta de respeito. Muito pelo contrário. O que faltou foi um enfrentamento mais qualificado: perguntas incômodas, cobranças objetivas, aprofundamento das propostas e respostas capazes de mostrar ao eleitor o que efetivamente separa os projetos apresentados para o Paraná. Em diversos momentos, o encontro pareceu mais uma conversa de compadres do que o primeiro grande confronto televisivo da campanha. O clima ameno acaba dando combustível, inclusive, à justificativa apresentada por Sergio Moro para não comparecer. O candidato do PL alegou que o formato poderia se transformar em uma disputa de ataques, em vez de discussão de propostas. Moro lidera a pesquisa Índice divulgada no domingo, com 35,3%, diante de 27,6% de Sandro e 19,5% de Requião. Diante de um confronto tão pouco incisivo entre os dois adversários presentes, fica inevitável a pergunta: o verdadeiro enfrentamento estava reservado justamente para quem não apareceu? É uma hipótese política levantada pelo contraste entre a justificativa de Moro e o que efetivamente ocorreu, não uma conclusão que o debate permita comprovar. Mais curioso ainda foi o que Requião Filho não perguntou. O pedetista atacou privatizações, pedágios, impostos, escolas cívico-militares e outras políticas da gestão Ratinho Junior, mas não levou para o centro do debate denúncias e investigações recentes envolvendo o governo, algumas delas já exploradas pelo próprio parlamentar fora do estúdio. Em junho, por exemplo, Requião questionou publicamente a contratação do Instituto IRG pelo Estado e cobrou esclarecimentos sobre os critérios utilizados. No primeiro frente a frente com o candidato escolhido para representar a continuidade de Ratinho Junior, porém, assuntos dessa natureza ficaram praticamente fora da mesa. No fim, Sandro defendeu o governo, Requião criticou suas políticas e ambos saíram sem que o adversário fosse realmente colocado contra a parede. Para um primeiro debate de uma eleição que promete discutir rumos bastante diferentes para o Paraná, faltou menos barulho do que profundidade. E essa talvez tenha sido a maior frustração da noite.