Concessões e reviravoltas
04/08/2026 08:25
A convenção do Republicanos, realizada na noite de segunda-feira (3), consolidou Alexandre Curi como candidato ao Senado e reforçou uma característica que passou a marcar a formação da chapa governista: a construção política baseada em sucessivas concessões. Mais do que a definição de nomes, o processo evidenciou que lideranças consideradas competitivas abriram mão de seus projetos individuais em favor de um desenho político duvidoso.
O primeiro movimento partiu do próprio Alexandre Curi. Durante meses apontado como um dos principais nomes para disputar o Governo do Estado, o presidente da Assembleia Legislativa acabou cedendo espaço para que Sandro Alex fosse oficializado candidato ao Palácio Iguaçu. A decisão chama a atenção porque Curi reunia amplo respaldo entre prefeitos paranaenses, fruto, entre outros fatores, da forte aproximação construída por meio do programa Assembleia Itinerante. Historicamente, o apoio de prefeitos costuma ser considerado um ativo importante em campanhas estaduais, pela capacidade de mobilização política nos municípios.
Na sequência, Rafael Greca protagonizou outra renúncia significativa. O ex-prefeito de Curitiba desistiu da candidatura ao Governo mesmo aparecendo em posição competitiva nas pesquisas de intenção de voto e optou por integrar a chapa como candidato a vice-governador.
Pouco depois, foi a vez de Alvaro Dias surpreender o cenário político ao abrir mão da disputa pelo Senado. O ex-senador figurava entre os nomes mais competitivos para a vaga e aparecia com forte aceitação nas pesquisas, mas decidiu retirar sua candidatura, abrindo caminho para Alexandre Curi representar a principal vaga da base governista. A segunda candidatura ao Senado pela coligação ainda aguarda definição, embora Cristina Graeml seja apontada nos bastidores como uma das possibilidades.
Na convenção, Alexandre Curi voltou a afirmar que não vê traições dentro do grupo e que todos permanecem unidos em torno do projeto liderado pelo governador Ratinho Junior. O discurso busca transmitir estabilidade após semanas marcadas por intensas especulações e negociações.
O conjunto dessas decisões revela um cenário político incomum. Em vez de priorizar, ao menos aparentemente, os nomes que despontavam com maior competitividade em diferentes frentes, a construção da chapa governista privilegiou uma composição negociada entre lideranças. Curi abriu mão da disputa pelo Governo mesmo contando com forte apoio municipal. Greca deixou de lado uma candidatura que vinha ganhando espaço nas pesquisas. Alvaro Dias desistiu da corrida ao Senado apesar do desempenho favorável nos levantamentos eleitorais.
Naturalmente, essa estratégia desperta questionamentos políticos. A principal dúvida que permanece é quais fatores pesaram para que esses nomes, considerados competitivos em seus respectivos espaços, cedessem lugar a uma configuração diferente da que muitos analistas projetavam meses atrás. As respostas para essa engenharia política tendem a surgir ao longo da campanha, à medida que os próprios partidos explicarem as razões que orientaram suas escolhas.
No centro desse debate está a candidatura de Sandro Alex. Seu nome acabou prevalecendo como representante da base governista ao Governo do Estado, mesmo após um período de indefinição e apesar de outros pré-candidatos também demonstrarem força política em diferentes segmentos. A aposta da coligação será transformar essa composição em competitividade eleitoral durante a campanha.
Enquanto isso, o campo adversário também segue em movimentação. O PDT confirmou Requião Filho como candidato ao Governo do Estado com apoio do PT. Nos bastidores, houve conversas sobre uma possível composição envolvendo Galo, do Solidariedade para a vaga de vice. Ao que tudo indica, o martelo não foi batido acerca do nome de Galo, mas o vice pode sim vir do Solidariedade.
Com o prazo para homologação das candidaturas chegando ao fim, o Paraná entra em uma nova etapa da disputa. Até aqui, as pesquisas têm apontado Sérgio Moro como líder na corrida ao Governo do Estado. Resta saber se a estratégia de concessões adotada pela base governista será suficiente para alterar o cenário eleitoral ou se o favoritismo observado até agora permanecerá ao longo da campanha.
Ao eleitor caberá acompanhar atentamente os próximos movimentos, avaliar as justificativas apresentadas pelos grupos políticos para suas escolhas e decidir seu voto a partir das propostas e do desempenho de cada candidatura.