O futuro da Ferroeste
29/07/2026 16:21
Antes de discutir o futuro da Ferroeste, o Governo do Paraná parece precisar decidir se pretende participar dele. Essa foi a impressão deixada na primeira audiência pública sobre a renovação da Malha Sul e o futuro da ferrovia paranaense, realizada em Curitiba. Enquanto representantes dos governos de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul marcaram presença desde o início dos debates, o Estado que concentra cerca de 80% da movimentação de cargas ferroviárias da Região Sul praticamente assistiu à discussão da arquibancada.
Segundo relatos de participantes, o Palácio Iguaçu sequer havia escalado representantes para o evento. Apenas após uma ligação de última hora do secretário estadual da Saúde, Beto Preto, ao secretário de Infraestrutura, alguém foi mobilizado para comparecer. Coube ao presidente da Ferroeste aparecer já na reta final da audiência e fazer uma intervenção que, longe de tranquilizar os presentes, acabou gerando críticas e constrangimento.
A fala, centrada na defesa da retirada imediata dos trilhos da Avenida XV de Novembro, foi prontamente contestada por uma representante da Associação de Moradores do Ahú. Ela alertou que a desativação da ferrovia sem um plano de ocupação da faixa de domínio abriria espaço para invasões, repetindo problemas já enfrentados em outras áreas ferroviárias. O contraponto expôs a fragilidade do posicionamento oficial e evidenciou a ausência de uma proposta consistente para um tema estratégico.
Enquanto isso, na audiência realizada em Porto Alegre, o cenário foi oposto: integrantes do alto escalão dos governos gaúcho e catarinense acompanharam as discussões e defenderam os interesses de seus estados.
A comparação inevitavelmente levanta questionamentos. Justamente o Paraná, maior interessado no futuro da Malha Sul e principal responsável pela movimentação ferroviária da região, deu sinais de improviso e baixa prioridade ao debate. Para quem acompanha a Ferroeste há décadas, a cena reforça uma preocupação antiga: a ferrovia continua sendo tratada como um patrimônio estratégico apenas no discurso. Na hora de defender seus interesses, o Paraná parece seguir perdendo o trem.