Fidelidade ou isolamento?
27/07/2026 15:45
A decisão do vice-presidente estadual do Podemos, deputado Do Carmo, de declarar apoio público à pré-candidatura de Sandro Alex ao Governo do Paraná, mesmo após seu partido anunciar aliança com Sérgio Moro, expõe um dilema que tende a se repetir até outubro: a fidelidade ao partido ou aos projetos políticos construídos ao longo dos anos.
Do Carmo foi direto ao afirmar que continuará ao lado do grupo liderado pelo governador Ratinho Junior, defendendo também a candidatura de Alexandre Curi ao Senado. Ao mesmo tempo, reconheceu que conversará com o presidente estadual do Podemos, Felipe Francischini, para definir seu futuro dentro da legenda.
O episódio revela que as alianças partidárias nem sempre conseguem alinhar automaticamente suas lideranças. Em muitos casos, os compromissos políticos e pessoais acabam falando mais alto do que as decisões tomadas pelas executivas estaduais.
Para Sandro Alex, o apoio serve como demonstração de que ainda mantém aliados mesmo em meio às dificuldades enfrentadas para consolidar sua candidatura. Por outro lado, o gesto também evidencia que sua base depende, cada vez mais, de movimentos individuais, enquanto importantes lideranças e até mesmo redutos históricos vêm demonstrando resistência ao seu projeto de chegar ao Palácio Iguaçu.
Resta saber se a manifestação de Do Carmo será um caso isolado ou o primeiro sinal de que a aliança do Podemos com Moro poderá enfrentar resistências internas. Em ano eleitoral, a disciplina partidária costuma valer muito. Mas, no Paraná de 2026, as lealdades pessoais parecem pesar ainda mais.