Mistura perigosa
27/07/2026 15:41
Convenções partidárias fazem parte da democracia. O uso da máquina pública para facilitar a participação nesses eventos, não. A denúncia de que veículos oficiais teriam sido utilizados durante a convenção do PSD do Paraná levanta uma questão que precisa ser respondida com transparência: quem autorizou esses deslocamentos e com qual justificativa?
Segundo levantamento divulgado pelo O Diário de Maringá, ao menos um veículo do Governo do Paraná e outro da Prefeitura de Kaloré foram identificados no local do encontro partidário. A apuração agora busca esclarecer se prefeitos, secretários e servidores também receberam diárias custeadas pelos cofres públicos para participar do evento político.
A discussão não é sobre a realização da convenção nem sobre a presença de agentes públicos, que possuem atuação política legítima. O ponto é outro: recursos públicos não podem ser confundidos com interesses partidários. Se os deslocamentos ocorreram em veículos oficiais ou com pagamento de diárias, é indispensável demonstrar qual era o interesse público envolvido.
Em tempos de redes sociais e fiscalização permanente, não basta agir dentro da legalidade; é preciso parecer legal. A transparência, neste caso, não é favor, mas obrigação. Se tudo ocorreu de forma regular, a divulgação das autorizações, das justificativas e dos gastos encerrará rapidamente a discussão. Se não ocorreu, a sociedade tem o direito de saber quem transformou patrimônio público em instrumento de conveniência política.