Memória em risco

24/07/2026 18:32

Os recentes episódios envolvendo a destruição dos ex-votos de Maria Bueno e a ameaça ao Bosque da Copel reacenderam um velho debate em Curitiba: até que ponto o patrimônio histórico está realmente protegido? Agora, a discussão ganha um novo capítulo com o projeto que pretende extinguir a proteção cautelar dos bens enquanto tramitam os processos de tombamento. A proposta, de autoria da vereadora Indiara Barbosa e do ex-vereador Rodrigo Marcial, ambos do Novo, já encontra resistência técnica. A Câmara Técnica de Patrimônio Cultural do próprio município manifestou posição contrária à mudança, alertando que o fim da proteção provisória pode abrir espaço para demolições, descaracterizações e intervenções antes mesmo da conclusão dos processos de análise. O ponto central da discussão é simples: a proteção cautelar existe justamente para impedir que um bem seja alterado ou destruído antes que o Poder Público decida se ele merece tombamento definitivo. Retirá-la significa correr o risco de transformar o processo em mera formalidade, quando já não houver mais patrimônio a preservar. Quando até os órgãos técnicos da própria administração demonstram preocupação, o alerta merece ser levado a sério. Afinal, memória histórica não se reconstrói depois que desaparece.