Santo de casa?

24/07/2026 18:19

O anúncio do apoio oficial de PSDB e Cidadania às pré-candidaturas de Sandro Alex ao Governo do Paraná e de Alexandre Curi ao Senado foi recebido pelo grupo governista como mais um passo na construção de uma ampla frente eleitoral. Na fotografia, a estratégia parece funcionar: partidos se unem, lideranças dividem o mesmo palco e o discurso da unidade ganha força. Mas a política não se resume a acordos entre cúpulas partidárias. Ela também é medida pela capacidade de um candidato mobilizar sua própria base. E é justamente nesse ponto que Sandro Alex enfrenta sua maior dificuldade. Natural de Ponta Grossa, cidade onde construiu sua trajetória política, o secretário de Estado ainda não conseguiu reunir ao seu redor as principais lideranças locais. Pelo contrário. O ex-prefeito Jocelito Canto, um dos nomes mais influentes da política ponta-grossense, já declarou apoio à candidatura de Rafael Greca ao Governo do Estado. A mesma posição foi adotada por sua filha, a deputada estadual Mabel Canto. Como se não bastasse, a prefeita Elizabeth Schmidt também já deixou claro que não estará no palanque de Sandro Alex nesta eleição. O cenário chama atenção porque, em regra, espera-se que um candidato tenha justamente em sua terra natal o núcleo mais sólido de sustentação política. Afinal, são os conterrâneos que acompanharam sua trajetória, conhecem seu estilo de atuação e testemunharam seus resultados de perto. Quando esse apoio não se consolida, a pergunta surge de forma inevitável. Por quê? Enquanto o governador Ratinho Junior costura alianças partidárias para tentar fortalecer uma candidatura que, até agora, não conseguiu empolgar o eleitorado nas pesquisas, permanece a dificuldade de convencer justamente aqueles que conhecem Sandro Alex há mais tempo. Se nem sua principal base política demonstra entusiasmo, como esperar que o restante do Paraná abrace espontaneamente esse projeto? Na política, partidos mudam de posição, alianças são refeitas e apoios podem ser negociados. O eleitor, porém, costuma prestar atenção em outros sinais. E poucos são tão simbólicos quanto observar quem permanece ao lado de um candidato quando não há obrigação de permanecer. Talvez seja apenas mais um caso em que santo de casa não faz milagre. Ou talvez exista uma explicação mais incômoda para o grupo governista: quem conviveu de perto conhece melhor as virtudes, mas também os limites de quem pretende governar o Paraná. Essa é uma pergunta que nenhuma convenção partidária consegue responder.