Prioridades invertidas

23/07/2026 16:04

Enquanto faltam equipamentos para ampliar a capacidade de atendimento da saúde pública, um levantamento do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) revela que as emendas parlamentares destinadas à Atenção Primária acabaram financiando, em 2025, muito mais itens de escritório do que equipamentos médicos. Segundo o estudo, 65,7% dos itens adquiridos com recursos de emendas individuais foram classificados como infraestrutura e material de escritório, como cadeiras, computadores e aparelhos de ar-condicionado. Já equipamentos de saúde de baixo custo, como eletrocardiógrafos, representaram apenas 27,9% das aquisições. Os números reacendem o debate sobre a forma como os recursos públicos vêm sendo direcionados. Embora mobiliário e estrutura também sejam necessários para o funcionamento das unidades, especialistas questionam se a prioridade deveria estar em equipamentos capazes de ampliar diagnósticos, reduzir filas e melhorar diretamente o atendimento aos pacientes. O levantamento reforça a discussão sobre a necessidade de critérios mais técnicos para a destinação das emendas parlamentares, especialmente em um cenário de demanda crescente por serviços de saúde e restrições orçamentárias. Afinal, um consultório bem mobiliado pouco resolve quando faltam os equipamentos necessários para atender quem depende do SUS.