Unidos e em paz?

20/07/2026 18:52

Em Cascavel, o governador Ratinho Júnior voltou a pedir que “deixem o Paraná em paz”. A fala veio acompanhada do discurso de que o Estado deve ficar distante das disputas políticas de Brasília. É uma mensagem que dialoga diretamente com outro conceito que o governo tenta consolidar: o slogan “Unidos e em Paz”. O problema é que o slogan parece descrever mais uma aspiração do que o momento vivido pelo próprio governo. Se a proposta é transmitir união, a realidade política mostra fissuras. A oposição ganhou força na Assembleia Legislativa, especialmente com a atuação coordenada de parlamentares do PL e do Novo, aumentando a pressão sobre o Palácio Iguaçu e reduzindo a tranquilidade que marcou os primeiros anos da gestão. Se a intenção é vender paz, o cenário também não ajuda. Nas últimas semanas, o governo tem enfrentado uma sequência de denúncias, investigações e questionamentos envolvendo contratos públicos e decisões administrativas, mantendo a administração estadual em permanente estado de desgaste. Por isso, a fala de Cascavel acaba produzindo um efeito curioso. Ao pedir que “deixem o Paraná em paz”, o governador transmite a impressão de que a paz já foi embora. E, quando o slogan oficial é “Unidos e em Paz”, mas o ambiente político é marcado por divisões, crises e sucessivos embates, a frase deixa de soar como uma descrição da realidade e passa a parecer apenas um desejo de campanha.