Subnotificação

20/07/2026 18:48

Os números revelados pelo Tribunal de Contas do Estado colocam a Secretaria da Segurança Pública do Paraná diante de uma cobrança difícil de ignorar. Se apenas cerca de 20% dos boletins de ocorrência registrados em 2024 chegaram ao Ministério da Justiça e, desses, a maior parte ainda foi considerada inválida, o problema deixa de ser meramente burocrático para ganhar dimensão política. A falha compromete a qualidade das estatísticas nacionais e pode influenciar diretamente a formulação de políticas públicas, a distribuição de recursos federais e o planejamento das ações de combate à criminalidade. Afinal, governar a segurança pública sem dados confiáveis é como tentar combater um incêndio sem saber onde estão as chamas. O alerta do TCE também cria um constrangimento para a gestão estadual, que frequentemente destaca os avanços tecnológicos e os investimentos realizados na área. Se a estrutura existe, por que as informações não chegam corretamente ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp)? A resposta passa a ser tão importante quanto a própria correção das falhas. Mais do que cumprir uma exigência administrativa, alimentar corretamente os bancos de dados nacionais é uma obrigação institucional. A sociedade espera eficiência não apenas no policiamento das ruas, mas também na gestão das informações que orientam as decisões de segurança pública. O diagnóstico está posto. Agora, a cobrança recai sobre a capacidade do governo de transformar as 39 recomendações do Tribunal em resultados concretos, antes que as estatísticas deixem de retratar a realidade e passem a escondê-la.