Conta barata

08/07/2026 16:19

Enquanto os holofotes se voltam para as investigações envolvendo a Risotolândia em outros estados, um processo que tramitou no Tribunal de Contas do Estado do Paraná revela que a empresa também precisou negociar uma saída milionária para encerrar um contrato com o Governo do Paraná. Fontes da Gazeta do Paraná tiveram acesso aos autos, que apontam uma série de irregularidades na execução do contrato de alimentação do sistema prisional paranaense. Entre os achados, chama atenção a constatação de que o custo efetivamente empregado pela empresa para fornecer as três refeições diárias aos presos ficava abaixo de R$ 2 por detento, enquanto os valores pagos pelo Estado eram significativamente superiores. Segundo o processo, a diferença vinha acompanhada de problemas na execução contratual, como refeições em quantidade inferior à prevista, substituição de alimentos por produtos diferentes dos estabelecidos no contrato e relatos de comida estragada servida nas unidades prisionais. Como desfecho, foi firmado um acordo para a rescisão antecipada do saldo remanescente do contrato, estimado em aproximadamente R$ 160 milhões. Em contrapartida, a empresa concordou em pagar uma multa na casa dos R$ 12 milhões. A diferença entre os valores envolvidos inevitavelmente desperta questionamentos sobre a efetiva reparação dos prejuízos apontados ao longo da execução contratual. A pergunta que fica é: alguém ficou com a propina? A coluna trará, nos próximos dias, novos detalhes sobre as irregularidades identificadas no processo e os bastidores da negociação que encerrou um dos contratos mais vultosos da empresa com o Governo do Paraná.