Carona oficial?
07/07/2026 17:39
A representação por suposta quebra de decoro parlamentar apresentada pelo vereador Bruno Secco (PL) contra Angelo Vanhoni (PT) e Professora Angela (PSOL) coloca em discussão o uso de veículos oficiais da Câmara Municipal de Curitiba durante a 9ª Marcha para a Diversidade. A denúncia sustenta que os parlamentares utilizaram carros oficiais em um domingo, fora do expediente, para participar de uma manifestação, o que, segundo o autor da representação, contrariaria as regras de utilização da frota pública.
O episódio, porém, ganha um ingrediente político adicional. Bruno Secco é justamente um dos vereadores que podem perder o mandato em decorrência do processo que apura fraude à cota de gênero nas eleições municipais. Caso a cassação seja confirmada pela Justiça Eleitoral, quem deverá assumir a vaga é um candidato do PT — partido do vereador Angelo Vanhoni, um dos alvos da representação. A coincidência inevitavelmente alimenta interpretações de que o embate extrapola a discussão sobre o uso da estrutura pública e também se insere na disputa política em torno da composição da Câmara.
Do outro lado, a defesa da Professora Angela sustenta que não houve qualquer irregularidade. O gabinete afirma que a participação em eventos públicos de relevante interesse social integra o exercício do mandato parlamentar e que a utilização de veículo oficial para esse tipo de agenda é compatível com a função representativa exercida pelos vereadores. Também classifica a denúncia como uma tentativa de distorcer os fatos com finalidade política.
Seja qual for a conclusão da Mesa Diretora, o caso tende a produzir efeitos que vão além da análise disciplinar. Em um momento em que o próprio autor da representação enfrenta uma disputa judicial capaz de custar seu mandato, a denúncia acaba sendo lida também sob a ótica da disputa política, reforçando o clima de tensão que antecede uma possível mudança na composição do Legislativo curitibano.