Lava-jato desmontada
27/06/2026 11:11
A decisão da Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro que anulou atos processuais da Lava Jato e determinou o trancamento da ação penal contra o empresário Guilherme Esteves de Jesus representa mais um duro golpe no legado da operação que dominou a política brasileira na última década.
Ao acolher o argumento de que houve atuação coordenada e indevida entre o então juiz Sergio Moro e integrantes do Ministério Público Federal, o magistrado reforça uma tese que vem ganhando força nos tribunais superiores: a de que, em determinados casos, o combate à corrupção ultrapassou os limites legais.
A sucessão de anulações de processos e condenações tem produzido um efeito político inevitável. Para os críticos da Lava Jato, as decisões confirmam abusos cometidos em nome do combate à corrupção. Para seus defensores, representam uma revisão excessiva que acaba beneficiando investigados e condenados. O fato é que, passados mais de dez anos do início da operação, a narrativa da força-tarefa segue sendo reescrita nos tribunais, e cada nova decisão enfraquece ainda mais o capital político e jurídico construído em torno da operação que mudou os rumos da política brasileira.