Cobrança por fora

26/06/2026 17:13

A política de Guarapuava amanheceu mais uma vez sob o peso de uma grave denúncia de corrupção. O afastamento do vereador Danilo Dominico (PP) por 90 dias e sua transformação em réu por crimes como corrupção passiva, estelionato, loteamento ilegal e lavagem de dinheiro colocam em xeque não apenas a conduta de um agente público, mas a própria credibilidade das políticas habitacionais do município. Segundo o Ministério Público, o esquema investigado pelo Gaeco teria cobrado de famílias valores por imóveis pertencentes a um programa habitacional gratuito. Se as acusações forem confirmadas pela Justiça, estamos diante de uma das formas mais perversas de corrupção: aquela que se aproveita da esperança de quem mais precisa de uma casa para viver. Programas habitacionais existem justamente para amparar famílias em situação de vulnerabilidade. Transformá-los em instrumento de arrecadação ilícita é desvirtuar completamente sua finalidade social. Pior ainda quando a suspeita recai sobre alguém que, à época dos fatos, ocupava justamente a Secretaria Municipal de Habitação e Urbanismo. O caso também serve de alerta para a necessidade de maior fiscalização sobre a distribuição de imóveis populares. A transparência precisa ser regra, e não exceção, em programas que lidam diretamente com o sonho da casa própria. Por ora, vale lembrar que o vereador terá amplo direito de defesa e que a denúncia ainda será apreciada ao longo do processo judicial. Mas, politicamente, o estrago já está feito. Afinal, quando uma investigação aponta que até mesmo a moradia popular pode virar moeda de negociação, quem perde é toda a população – especialmente aqueles que dependem do poder público para ter um teto digno.